Assembleias de «Irmãos» em Portugal

Estudos Bíblicos

Dons e Milagres

Os signatários do presente documento, conscientes das mais diversas ameaças que se desenvolvem contra a integridade e pureza da Palavra de Deus e a Unidade dos crentes, sentem-se no dever de definir a sua posição clara e publicamente perante as Igrejas e os crentes individuais.

Nesta conformidade declaramos que:

1 – Cremos no baptismo pelo Espírito Santo, no EXACTO momento da conversão do pecador a Cristo, conforme está explicito nas Sagradas Escrituras (Ef 1:13; 2 Co 1:22; Jo 7:39). Isto prova ser errado procurar ou esperar posteriormente um baptismo do Espírito Santo, porque Ele já habita em cada crente salvo (1 Co 3:16, 6:19, 12:13).

2 – Cremos que o Espirito Santo concede dons espirituais de acordo com a Sua vontade (1 Co 12:11). Entretanto, alguns dos dons que vigoraram no inicio da Dispensação da Graça não são repartidos nos nossos dias, dos quais destacamos:

  • a) APÓSTOLOS E PROFETAS – Estes dons foram necessários somente no inicio da Igreja para o lançamento e confirmação do Fundamento, que é Jesus Cristo – Ef 2:20; I Co 3:9-13. Os Apóstolos representaram a autoridade e os Profetas a revelação dos desígnios de Deus. Por no tempo presente termos a Revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo completa no Novo Testamento, não necessitamos mais de Profetas e Apóstolos (Rm 16:26; 1 Co 1:25; 2 Tm 3:16; 1 Co 13:8; Ap 22:18-19) nem tão pouco de visões, sonhos e revelações.
  • b) OPERAÇÕES DE MILAGRES E PODER – Estes dons foram repartidos pelo Espírito Santo no principio para confirmação da veracidade do Cristianismo (1 Co 12:7-11, 1 Co 12:28)

DOM DE CURAS

É claro que o dom de curar se esvaziou quando Paulo ainda vivia – 2 Co 12:7-10; 1 Tm 5:23; 2 Tm 4:20. Todavia Deus pode curar nos dias presentes, em resposta à oração, segundo a Sua vontade (Tiago 5:14-16).

Não Como nos dias apostólicos – Então, bastavam a sombra de Pedro e o simples contacto de peças de vestuário com o corpo de Paulo, e "as enfermidades fugiam e os espíritos malignos saíam". Numa palavra: "Todos eram curados" (At 5:15-16).

Em nossos dias, o Poder de Deus não pode ser manipulado em indecorosos espectáculos de "cura divina", que só servem para desacreditar o Evangelho. Este Poder actua agora como nos dias do Antigo Testamento, esporadicamente e em situações específicas e isoladas, sempre segundo a Soberana vontade de Deus.

A intervenção de Deus para efeitos de cura, não se cinge unicamente ao domínio espiritual. A medicina, a cirurgia e também o uso de plantas, são alguns dos meios diversificados de que Deus está a servir-se com resultados confirmados e surpreendentes. O Senhor dispõe de todos os recursos para atender as orações dos crentes, quando está no seu propósito curá-los. Em tudo isto cremos nós e damos graças ao Senhor pelo uso que Ele faz de tantas coisas para o nosso bem.

DOM DE LÍNGUAS, SONHOS E REVELAÇÕES

O dom de línguas que foi no principio um sinal na descida do Espírito Santo (At 2:3-4) e serviu para evangelizar no dia de Pentecostes (At 2:6-12), foi também usado como dom para edificação (1 Co 14:4-5, 26) sendo obrigatório a co-existência com o dom de interpretação de línguas (1 Co 14:27) e teve também um período bastante curto com o agravamento de ser considerado pelo Apóstolo dos Gentios como um dom de pequena escala (1 Co 14:1-9, 23 e 1 Co 13:8).

Todos estes dons e sinais foram oportunos e úteis, segundo a pré-determinação de Deus, nos primórdios da Igreja, com Início no Pentecostes. Mas, diga-se o que se disser, o Pentecostes aconteceu uma vez e nunca mais se repetirá na Dispensação da Graça. Hoje em dia, cada missionário enviado a outros povos tem de estudar as línguas deles, antes de lhes poder falar. Não há dom que lhe valha. As línguas estranhas, usadas então nas Igrejas, já não são necessárias para impressionar os infiéis, como no principio. (1 Co 14:22). No tempo presente, se "os Judeus pedem um sinal e os gregos buscam sabedoria, nós pregamos a Cristo crucificado" (1 Co 1:22-23).

Temos no Novo Testamento a revelação completa dada à Igreja. Podemos, por isso mesmo, dispensar todas as outras "revelações". Sabemos que vão aparecendo aqui e ali, os presumidos que pretendem deslumbrar os menos prevenidos com os seus "dons de línguas" e outros. Mas também conhecemos os que, dentre esses, têm voltado para o mundo e acabado por alinhar com os inimigos da Palavra de Deus. Agora, ainda que se levante alguém afalar uma língua estranha autêntica, que não seja de sua invenção, isso não chegará para provar a sua proveniência divina. Está inegavelmente demonstrado que muitos já profetizam, expulsam demónios e fazem maravilhas em Nome do Senhor, sem que, todavia, sejam conhecidos d'EIe. (Mt 7:21-23).Tudo isto é confirmado pelo que está acontecendo nas reuniões dos carismáticos católicos, nas sessões espíritas e nos cultos de algumas religiões orientais e africanas. Aí também já falam línguas estranhas e relatam sonhos, visões e revelações. E não só isto, pois expulsam demónios e curam enfermidades. Ora, sabendo nós, que Deus nada tem com isto, como o explicaremos? Paulo responde: "O mistério da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado Aquele que agora o detém" (2 Ts 2:7 – Scofíeld).

3 – Cremos que Espírito Santo, nestes dias, dá dons aos crentes, quando se convertem, nomeadamente: O dom de Doutor ou Ensinador, o de Socorros, o de Exortar, o de Repartir, o de Presidir, o de exercer misericórdia, o de Pastor, o de Evangelista, e outros mais. (Rm 12:7-8; 1 Co 12:8-10; Ef 4:1 1).

Esta declaração foi assinada por diversos anciãos e obreiros das Assembleias dos Irmãos em Portugal, correspondendo à posição doutrinária-regra da generalidade das Assembleias dos Irmãos em Portugal. Subscreveram esta declaração, entre outros (cfr. Refrigério Nº 8 – Junho/88) os seguintes anciãos: A. A. Carriço – A. Poland – Walter Carvalho – Anciãos Igreja Sta Catarina – Samuel Pereira – J. Manuel Gomes – Amadeu Gomes – José Fontoura – Serafim Miranda – Manuel Ribeiro – Clemente Monteiro – Tertuliano Figueiredo – Augusto Poças – Arnold Doolan – Carlos Alves – José Carlos Oliveira – Vitor Hugo Oliveira – J. J. Catarino – Manuel F. Borges – Joaquim Alex. O. Costa – Joaquim R. Santos – Ernesto J. Neves.

Declaração Pública – "Refrigério" Nº 6, Janeiro de 1988

» Secção Estudos «