Assembleias de «Irmãos» em Portugal

Estudos Bíblicos

O Lugar da Mulher na Assembleia

Nestes dias em que os movimentos feministas estão proliferando por todos os cantos, e quando as mulheres estão assumindo, cada vez mais, papéis de liderança em todas as áreas da vida, o lugar das mulheres cristãs nas assembleias locais é verdadeiramente distintivo. Consideraremos o assunto sob três aspectos: 1. O seu serviço. 2. O seu silêncio. 3. A sua submissao.


1. O SEU SERVIÇO.

As mulheres cristãs sempre realizaram muitos serviços valiosos em conexão com as assembleias. Na verdade, não é exagero dizer que as assembleias não seriam o que são, nem poderiam realizar o que fazem, sem as irmãs. Sem tentarmos avaliar a importância relativa das várias esferas de serviço nas quais as irmãs ministram, alistemos algumas delas:

1. Frequência

Em muitas assembleias, senão em todas, a frequência às reuniões baixaria pelo menos cinquenta por cento se as irmãs estivessem ausentes. O efeito prejudicial de tal perda pode ser facilmente imaginado.

2. Suporte Financeiro

Ninguém a não ser o Senhor sabe perfeitamente quem realmente contribui, e o que dão. Mas, podemos facilmente assumir que uma grande porção do suporte financeiro para a obra do Senhor provém das irmãs, particularmente das mulheres solteiras que trabalham fora de casa. Isto será revelado, reconhecido e recompensado no Tribunal de Cristo (Marcos 12:41-44; Mateus 6:3, 4).

3. Oração

Mulher OrandoA oração é a fonte do poder do testemunho das assembleias, e muitas mulheres cristãs são verdadeiras guerreiras da oração. Invisível aos olhos humanos, seus labores diante do trono da graça são bem conhecidos por Deus. O futuro, sem dúvida, revelará que muitos dos progressos da assembléia, e o poder e ganhos dos irmãos pregadores foi atribuído directamente às orações das irmãs.

4. Música

Embora algumas assembleias tenham homens pianistas e organistas, tais instrumentos são, mais frequentemente, tocados pelas irmãs. Os membros femininos do coral geralmente são mais numerosos que os masculinos, e, frequentemente, encontramos melhores vocalistas entre as irmãs que entre os irmãos.

5. Trabalhos com as Crianças

Muitos adultos salvos recordam-se com gratidão das primeiras influências em favor de Deus recebidas de mulheres cristãs piedosas que fielmente ensinaram na Escola Dominical. Geralmente, a grande maioria dos professores de Escola Dominical são irmãs dedicadas. E em outras fases dos trabalhos com crianças uma enorme contribuição está sendo feita pelas irmãs nas assembleias.

6. Estudos Bíblicos e Classes Missionárias

Nos grupos de estudos bíblicos femininos muitas mulheres têm sido conduzidas ao Senhor e recebido instruções sobre a vida cristã. Mulheres cristãs capacitadas, frequentemente, têm acesso a círculos fechados aos homens. Embora não devesse ser assim, em muitas assembleias o peso das actividades missionárias recai sobre irmãs fiéis. Elas têm grupos de estudo, grupos de oração, projectos de trabalhos e outras actividades que geram um interesse de grandes proporções sobre a obra missionária no exterior. Como resultado, o campo missionário no mundo está pontilhado de irmãs fiéis, jovens e mais idosas, que trabalham por amor ao Senhor e pelos perdidos. Somente a eternidade revelará os resultados completos de tais esforços.

7. Actividades Sociais

Quando se trata de preparar comida, os esforços dos membros masculinos de uma assembleia geralmente estão limitados a um churrasco em alguma reunião social da igreja. Para todas as demais reuniões a assembleia depende do trabalho voluntário das irmãs. Comida para os enfermos, os carentes, os idosos, para casamentos e chás-de-cozinha, piqueniques, jantares de confraternização, etc., são todos preparados pelas irmãs. E uma tragédia quando uma igreja local transforma-se num mero clube social, mas uma assembleia verdadeiramente espiritual pode (e deve) prover actividades sociais sadias para os cristãos, e isto requer um toque feminino.

8. Visitação

"Estava... enfermo e me visitastes" (Mateus 25:36). "A religião pura e sem mácula, para o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações" (Tiago 1:27). Eis aqui um ministério sem limites, tanto em possibilidades como em bênçãos. E está aberto a todos: evangelistas, pastores, ensinadores, anciãos, e irmãs. A visita simpática e gentil de uma irmã piedosa pode abrir mais corações que muitos longos sermões.


2. O SEU SILÊNCIO

Após este breve sumário da multiplicidade do serviço das irmãs na assembleia local (e muito mais ainda poderia ser dito), poderá chegar como uma surpresa àqueles não acostumados com os princípios e práticas das assembleias neo-testamentárias saber que, nas reuniões da igreja, as mulheres permanecem silenciosas. Elas não oram publicamente nem pregam em reuniões onde os homens estão presentes. Isto, obviamente, é obediência as instruções claras estabelecidas pelas Escrituras.

"...conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o determina" (1 Coríntios 14:34).

"A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a mulher ensine..." (1 Timóteo 2:11-12).

"...para a mulher é vergonhoso falar na igreja" (1 Coríntios 14:35).

Aqueles que recusam submeter-se a este ensino claro da Palavra de Deus têm feito enormes esforços para evitar estas imposições.

Alguns nos dizem que o problema é a "tagarelice" – burburinho barulhento feito pelas mulheres. Embora tal tipo de conduta jamais devesse ser permitida, pois mancharia a reunião dos santos em qualquer época, este não é o significado aqui. A palavra grega traduzida "falar" é a mesma nas vinte e uma vezes em que é usada neste capítulo, inclusive na instrução: "Tratando-se de profetas, falem [tagarelem?] apenas dois ou três" (v. 29). Reductio ad absurdum! (Extremo dos absurdos!)

Alguns já tentaram transformar o "silêncio" do versículo 34 numa proibição contra as mulheres falarem em línguas, mas isto não cabe no contexto, e seria uma redundância, uma repetição desnecessária das instruções nos versículos 27 e 28.

Um dos frutos amargos produzidos pela negação actual nos círculos neo-evangélicos da inerrância das Escrituras é a tentativa feita por alguns autores de contrariar Paulo em suas instruções sobre as mulheres, dizendo que seus ensinos contradizem as palavras do Senhor sobre o mesmo assunto. Para cristãos que crêem na Bíblia este argumento enganador não tem nenhum peso, já que a inspiração verbal e a inerrância descartam quaisquer declarações contradizentes.

A declaração em Gálatas 3:28: "...nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus," tem sido extraída completamente de seu contexto e aplicada à força à participação feminina nos cultos da igreja. Mesmo uma leitura superficial da passagem em Gálatas indica claramente que o assunto em discussão é filiação na família de Deus e não serviço na assembléia. A salvação não é afectada pelas distinções raciais, sociais, ou sexuais. Há uma salvação "comum" a todos (Judas 3) e as bençáos espirituais que são nossas em Cristo (Efésios 1:3) são propriedade de todos igualmente. Mas, na igreja, obviamente, temos "homem e mulher", caso contrário as exortações aos maridos e esposas não teriam qualquer significado (veja Efésios 5:22-33).

Existem outros que crêem que as palavras de Paulo em 1 Coríntios 11:5, 13 negam o comando do silêncio no capítulo 14. Nestes versículos lemos:

"Toda mulher, porém, que ora, ou profetiza, com a cabeça sem véu, desonra a sua própria cabeça" (v. 5).

"Julgai entre vós mesmos: é próprio que a mulher ore a Deus sem trazer o véu?" (v. 13).

Mesmo que analisemos o texto desprezando a sua inspiração, ainda assim será evidente a qualquer pessoa pensante que Paulo era sábio demais para escrever uma coisa, e logo após, deliberadamente contradizer-se a si próprio. Mas, ambas as declarações, nos capítulos 11 e 14, são os ditos inspirados de Deus e, portanto, ambos correctos. A resposta à aparente contradição é que no capítulo 11 Paulo não está escrevendo sobre quem pode orar e profetizar, como o faz no capítulo 14 (veja 14:15, 27, 28, 29, 30, 32, 35). O assunto objecto em 1 Coríntios 11:1-16 é liderança. A ordem divina é Deus-Cristo-homem-mulher (v. 3). Como a mulher não está no lugar de liderança, quando o homem está presente na assembleia ela deve usar uma cobertura sobre sua cabeça (v. 10). Descobrir sua cabeça e usurpar o lugar do homem é desonrar sua cabeça, o homem (v. 5). O versículo 5, então, não tem o propósito de conceder à mulher cristã o privilégio de orar ou profetizar nas reuniões da igreja, mas, pelo contrário, tem a intenção de mostrar a incongruência de uma mulher deixar a posição de silêncio e sujeição dada a ela por Deus, e aparecer diante dEle com a cabeça descoberta. A verdade acima é esclarecida ainda mais em 1 Timóteo 2, onde lemos:

"A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a mulher ensine, nem que exerça autoridade sobre o marido; esteja, porém, em silêncio" (vs. 11-12).

É significativo que a palavra para "marido" ou "homem", no grego, no versículo 12, como também no versículo 8, seja a palavra para "varão" (homem); enquanto que nos versículos 1, 4, 5, é "humanidade", incluindo tanto o homem como a mulher. Assim, o versículo 8 lê: "Quero, portanto que os varões orem em todo lugar."


3. A SUA SUBMISSÃO

Nestes dias, quando o Movimento dos Direitos Iguais está cada vez mais envolvido com o status da mulher, até mesmo a simples menção da palavra "submissão" toca um nervo sensível por todo o mundo feminino. Mas, afinal de contas, não é o que o mundo diz, mas o que a Palavra diz que deveria governar e guiar o pensamento das mulheres cristãs. E o que ela diz?

"A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão" (1 Timóteo 2:11).

"...estejam submissas como também a lei o determina" (1 Coríntios 14:34).

Deus é um Deus de ordem, e obediência à Sua ordem traz Sua benção. A desobediência traz o caos e a disciplina divina. No assunto de liderança, com sua inerente autoridade (como já vimos) a ordem divina é claramente declarada em 1 Coríntios 11:3:

"Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem o cabeça da mulher, e Deus o cabeça de Cristo."

A declaração final deste versículo claramente indica dois pontos importantes:

Primeiro, sujeição não significa subjugação forçada, mas submissão por livre escolha. Pelo propósito da redenção do homem, Cristo livremente escolheu submeter-Se em todas as coisas à vontade do Pai, e assumir o lugar de obediência do servo.

"Porque eu desci do céu não para fazer a minha própria vontade; e, sim, a vontade daquele que me enviou" (João 6:38).

Que exemplo perfeito para todas as mulheres cristãs! Que privilégio seguir Seu exemplo!

Segundo, sujeição não indica inferioridade. Embora assumindo a forma do servo (Filipenses 2:7), e vivendo uma vida de obediência perfeita e dependência do Pai, Cristo não era de maneira alguma inferior ao Pai durante Sua vida de sujeição na terra. Ele era sempre Deus.

Ao aceitar o lugar de sujeição à liderança do homem, as mulheres cristãs recebem a alta honra de emular o Filho de Deus. E ao fazê-lo, demonstram aos observadores angelicais a restauração da ordem divina de liderança que havia sido violada pela presunção de Lúcifer (Isaías 14:12-15), e pela desobediência de Adão e Eva (Gênesis 3).

"Portanto, deve a mulher, por causa dos anjos, trazer véu na cabeça, como sinal de autoridade" (1 Coríntios 11:10).

A posição assumida pelas assembleias neo-testamentárias que se conduzem pelos ensinamentos das Escrituras é que ter mulheres na posição de pregadores, pastores, ensinadores ou anciãos, ou qualquer outra posição de autoridade na igreja está fora da vontade de Deus.

H. G. Mackay

"Os Disintivos das Assembleias" | "Everyday Publications", Canada

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