Assembleias de «Irmãos» em Portugal

Estudos Bíblicos

Ultradispensacionalismo

Os signatários do presente documento, conscientes das constantes ameaças que se desenvolvem contra a integridade da Palavra de Deus e a unidade dos crentes, entendem ser este o momento certo de definir a sua posição clara e pública perante as Igrejas e os crentes individuais.

Alguns irmãos estão a propagar doutrinas que ultrapassam os limites da revelação divina, entre as quais as que tém de ser entendidas como "ultradispensacionalismo". E, embora sejam divulgadas em nome do puro fundamentalismo, são precisamente elas que esgrimem contra os eternos fundamentos da Palavra de Deus.

Dessas doutrinas destacamos as seguintes afirmações:

  • 1. A Igreja "nascida" no Pentecostes nada tem a ver com a dos nossos dias.
    • a) Se Israel aceitasse Cristo como seu Messias, a seguir ao Pentecostes, Ele viria imediatamente para reinar.
    • b) Por tal não ter acontecido é que a Dispensação da Graça foi introduzida no mundo.
    • c) Esta Dispensação só principiou quando Paulo se voltou para os gentios.
  • 2. A doutrina para a Igreja, encontra-se exclusivamente nas epístolas de Paulo, escritas na prisão.
    • a) Todas as outras Escrituras, incluindo as que Paulo escreveu não se destinam à Igreja actual.
  • 3. O Evangelho dado ao apóstolo Paulo era diferente do pregado pelo Senhor e por Pedro.
    • a) O Evangelho pregado por Cristo e por Pedro requeria o baptismo na água para remissão dos pecados.
    • b) Tal como Paulo ensinou, a ordenança do baptismo na água dada pelo Senhor para todos os crentes, não é necessária, pelo que se t+orna dispensável para a Igreja actual.
    • c) Portanto, o baptismo na água não é para a Dispensação da Graça.

Nós abaixo assinados, afirmamos que Continuamos a crer, defender e ensinar aquilo que ao longo de séculos a Igreja tem adoptado, sem vacilar, tal como alguns destes nossos irmãos no passado, o fizeram, mormente:

1. Cremos que a Igreja de Cristo nasceu exactamente com o cumprimento da promessa do envio do Espírito Santo, no próprio dia do Pentecostes (Actos 2:41-42, 47; 4:32-35).

Cremos que Deus não "mudou de planos" e que existe apoio suficiente na Bíblia para comprovar que a "Dispensação da Graça" sempre esteve nos planos do Senhor, e que esta se iniciou claramente na altura em que "o véu do templo se rasgou", acabando assim de vez a Dispensação da Lei (cf. epístola aos Hebreus). Cremos que, ao afirmarem que a Dispensação da Graça foi introduzida como "último recurso" seria o mesmo que conceber que a morte de Cristo foi também um último recurso e que não estava nos desígnios do Senhor.

2. Cremos que todas as epístolas contêm doutrina para a Igreja actual e que toda a Palavra de Deus é "proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça".

Cremos que o apóstolo Paulo pregou exactamente o mesmo Evangelho .,.que Cristo, os apóstolos e a Igreja pregaram e têm pregado ao longo dos quase vinte séculos de História da Igreja.

3.Cremos que o baptismo na água, conquanto não indispensável para a salvação é no entanto indispensável a todo o verdadeiro crente:

a) Como símbolo público da sua identificação com Cristo (Rm 6:3-8; Cl 2:12-13, Gl 3:27; 1 Co 10:1-2).

b) Como símbolo da morte para o pecado (Rm 6:3-11; Gl 2:20; 6:14).

c) Como símbolo de ressurreição para uma nova vida (Rm 6:9; Cl 2:13; 3:1-4; Ef 2:5-7; 2 Co 5:17; 2 Tm 2:11).

d) Como símbolo de purificação (Actos 22: L6; Ef 5:26; João 3:5; Tito 3:5; Hb 10:22; 1 Co 6:10-11).

e) Como símbolo de revestimento de Cristo (Gl 3:27; Rm 13:14; Ef 4:21-24).

f) Como símbolo da fonte da nossa aceitação por Deus e da nossa aliança com Ele (Ef 1:13-14; 4:30; 2 Co 1:21-22).

g) Como símbolo de passagem a uma nova humanidade (1 Pedro 3:18-22; Cl 1:13).

Por tudo isto e algo mais declaramos, a mais absoluta rejeição das doutrinas entendidas como "ultradispensacionalismo", e suas práticas, assim como precavemos a cooperação com os que as ensinam e espalham. Estamos abertos para, publicamente, defender as nossas convicções com quem as deseje connosco debater.

Esta declaração foi assinada por diversos anciãos e obreiros das Assembleias dos Irmãos em Portugal, correspondendo à posição doutrinária-regra da generalidade das Assembleias dos Irmãos em Portugal. Subscrevem esta declaração os seguintes Irmãos responsáveis: Narciso Campos – José Carlos Oliveira – Normando Fontoura – Tertuliano Figueiredo – Samuel Pereira – Carlos Alves – José Fontoura – Manuel Ribeiro – José Manuel Gomes – Fernando Brito – Arnold Doolan – Eric Barker – João Catarino – Vitor Hugo Oliveira – Augusto Poças – Joaquim Oliveira – Clemente Monteiro – Serafim Miranda – Felisberto Soares – João Varandas – Eduardo Barros – Joel Pereira – Manuel C. Fernandes – Manuel F. N. Borges – Frank Smith – Marino F. Marques – Joaquim R. Santos – Eduardo da Costa – Frnesto Neves – Júlio H. Pereira – José Alberto G. Sousa – Ângelo S. Silva – Francisco Mateus – Timóteo da Silva – Amadeu Gomes – Emidio T. Xavier – Jacques de Almeida – António G. Oliveira – Ruben Fontoura – Benjamin Pedro – João M. R. Estevão – António M. Lopes – Zacarias G. Magueta – Manuel Correia – Manuel Gonçalves – Alberto S. M. Sarmento – José Marques – José P. Oliveira – Paulo J. M. Oliveira – Rui Neves Martinho – Armindo A. V. Freire – Joaquim M. A. Matos – Rui Manuel Oliveira – Américo M. Silva – Manuel V. A. Freire – António de Oliveira – Manuel C. Campos – José da Costa Pereira – António J. Pereira – António R. Dias – Manuel R. A. Costa – José António Xavier – Bernardo A. P. Palma – Carlos Alberto Alves – Adelino A. Cândido – Joaquim M. Conceição – Rodrígues dos Santos – Francisco J. S. Pereira – António Carriço – António A. Barros – José A. Dias Bravo – Henrique A. Agua – Fernando Martins – Pedro O. da Silva – Orlando Luz – Nascimento J. Freire – Philippe Mathez – Amilcar Martins.

Declaração Pública – "Refrigério" Nº 2, Março – Junho de 1987

» Secção Estudos «