Assembleias de «Irmãos» em Portugal

Estudos Bíblicos

CAPÍTULO VII – A ETERNIDADE

85. Qual o significado de 1 Co 15:28 – "Para que Deus seja tudo, em todos"?

Cristo veio, como homem, para tomar posse do Seu reino (Lc 19:12), e, como homem, Ele o erigirá em Justiça. Toda a autoridade e poder que se erguer contra Ele, Ele o subjugará. Quando o último inimigo jazer a Seus pés, a morte, então Ele entregará o Reino ao Pai. Cristo toma posse do Reino para administra-lo por mil anos na dependência de Deus e entrega-o perfeitamente como o recebeu.

Todos os administradores anteriores se comprovaram infiéis; ninguém pôde entregar o que recebeu. "Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então o próprio Filho também se sujeitará que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos". Nunca mais porá de lado a natureza humana que uma vez recebeu, mas sim a autoridade que lhe foi conferida; o próprio Filho se sujeitará a Deus como homem, sem jamais deixar de ser Filho.

Esta palavra deve mostrar o contraste entre a sua eterna filiação como Filho e a autoridade que Lhe foi conferida e que ele irá entregar ao Pai. Quando a mão de Deus, de acordo com o Seu propósito, criar uma nova Terra e Ele descansar no Seu Amor, então Deus somente, na Sua natureza divina e na perfeição moral do Seu ser, será o descanso do homem e de toda a criação na eternidade. Deus será tudo em todos.


86. Qual a diferença entre o Reino Milenário e a Eternidade?

O Reino Milenário é o objecto das promessas e profecias. O tempo onde tudo o que foi confiado ao homem, a Israel e à Igreja foi estragado pelo pecado, já passou; tudo será então administrado em perfeição pelo Segundo Homem – Cristo. A eternidade não é objecto de promessa, nem de profecias. Não a encontramos em parte alguma do Antigo Testamento; é, porém, fruto daquilo que Deus é em Si Mesmo. "Deus é Luz" e "Deus é Amor".

No milénio vemos o cumprimento do decreto de Deus para a exaltação de Cristo e para a bênção dos homens. Na eternidade, cuja expressão Deus é em Si Mesmo, tudo testemunhará daquela perfeição absoluta que está contida nas maravilhosas palavras: "Para que Deus seja tudo em todos".

No milénio reinará a Justiça, uma vez que o mal ainda continua a existir; esse estado de coisas ainda não é a perfeição. Em contrapartida, a Justiça habitará na eternidade; é o estado de harmonia perfeita, a realização absoluta do Bem.


87. Quais as principais características das bênçãos da eternidade?

A passagem que nos descreve mais extensamente a perfeição da eternidade, após o milénio, encontra-se em Ap 21:1-5. Todos os indícios de tempo passaram! Alcançamos a eternidade! A dissolução total de todas as coisas está consumada.

O Grande Trono Branco foi erigido, e os incrédulos "mortos, grandes e pequenos" estão reunidos à volta desse Trono para receberem a sua definitiva e irrevogável sentença dos lábios do Juiz. Eles foram preservados pelo poder de Deus para o Juízo, pois os céus e a Terra acabavam de "fugir" (Ap 20:11). Ressuscitados no tempo, serão julgados na eternidade.

Segue-se então aquela sublime palavra: "Vi novo céu e nova terra". Haverá também uma eterna diferença entre os santos do céu e os santos da Terra. A noiva se alegrará por pertencer ao noivo, e o amigo do noivo pela sua presença imediata (Jo 3:29). A bênção a todos terá carácter eterno.

Nesse novo mundo criado vem a noiva, da parte de Deus, para ser o Seu tabernáculo. "Ataviada como noiva adornada para o seu esposo", assim a vemos vestida de noiva (Ap 19:7-9) após o milénio, entrando nesse estado de noiva e sua firme ligação com o seu noivo. A noiva fala-nos de amor; o marido fala-nos da sua íntima ligação. Deus habitará entre os homens (e não sobre eles, como no milénio), no Seu tabernáculo – a congregação. Ele descerá no Seu amor (Sf 3:1-7). Nem Israel e nem as nações tomarão um lugar tão nobre.

Uma outra característica importante será o facto do mar já não existir. Enquanto que, até agora, tem sido indispensável para a vida do homem e da criação, não será então mais necessário, pois Deus mesmo habitará entre a Sua nova Criação e será a sua vida, o seu descanso e a sua alegria.

E "Ele lhes enxugará dos olhos toda a lágrima". Durante todo o milénio não teve a noiva motivo algum para chorar; aliás, os santos sobre a terra, durante o Reino, serão testemunhas em cada novo Julgamento, e, por último, serão testemunhas do Julgamento em Ap 20:7-10. A partir daí nunca mais chorará, pois Deus mesmo – louvado seja o Seu Nome por isso! – "lhes enxugará dos olhos toda a lágrima". Ali, não conheceremos nem morte, nem dor, nem clamor, nem preocupações, nem necessidades! Nada perturbará aquela paz ou turvará a alegria. O próprio Deus marcará com o timbre da Sua infinita perfeição esse maravilhoso estado de coisas.

Em vista das bênçãos desse eterno estado de coisas (a eternidade), lemos no verso 5: "E aquele que está assentado no trono disse; Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fieis e verdadeiras". Tudo aquilo que poderia fazer-nos lembrar do mundo actual, na sua transitoriedade, seus pecados e calamidades, será banido desse mundo de deleite eterno. Queira o Espírito Santo transmitir aos nossos corações uma profunda impressão destas maravilhosas palavras: "Eis que faço novas todas as coisas." Amen.

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