Assembleias de «Irmãos» em Portugal

Estudos Bíblicos

CAPÍTULO V – A GRANDE TRIBULAÇÃO

40. Os dias, tempos e meses de Ap 12 e 13 devem ser tomados em sentido literal ou simbolicamente?

No primeiro desse períodos vemos como Deus conta misericordiosamente cada um daqueles terríveis dias, nos quais o Seu povo terá de padecer horrivelmente sob o domínio da Besta e do Anticristo. Que consolo para os que nesse tempo estiverem padecendo a incomparável tribulação, saber que o tempo da sua perseguição foi medido com precisão por Deus. Após esse tempo, os inimigos não terão mais poder sobre eles. "Mas por causa dos escolhidos tais dias serão abreviados" (Mt 24:22).

Na segunda menção desse período de tempo já não vemos tanto o olho clemente de Deus que vigia o restante sofredor de Israel, mas sobretudo o facto de o restante poder ser colocado em segurança diante do grande dragão, por isso esse tempo é expresso aqui, fraccionado em várias partes: Um tempo (um ano), tempos (dois anos) e metade de um tempo (meio ano) (Comparar Dn 4:16-37 o significado referente a essa medida de tempo).

Na terceira vez a descrição desse período é simplificada para 12 meses, durante o qual a besta (o Império Romano Renascido) blasfemará contra Deus e tudo o que estiver relacionado com o Céu, e durante o qual ela liderará uma guerra santa contra os Judeus.

Podemos ver claramente que essas diferentes descrições se referem à mesma época, a saber, a grande tribulação, sobre a última metade da septuagésima semana de anos de Daniel. Uma vez que essas expressões se referem ao mesmo espaço de tempo, a três anos e meio (que se iniciará na "metade da semana", Dn 9:27), temos de concluir que essas dados sobre tempos devem ser tomados literal e não simbolicamente. Qualquer outra interpretação leva a intermináveis confusões e desnorteia o leitor das Escrituras proféticas.

  • 1. "Vi também tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar" (Ap 20:4). Daniel viu os mesmos tronos: "Continuei olhando, até que foram postos uns tronos" (Dn 7:9). João viu alguém sentados nesses tronos; para Daniel, eles ainda não estão ocupados. Quem se sentará então nesses tronos de julgamento? São aqueles, creio eu, que são representados pelos 24 anciãos que ocupam os tronos; são os santos que por ocasião da vinda do Senhor nos ares serão ressuscitados, bem como transformados – os santos do Velho e do Novo Testamento. Aqui não nos é indicado, como no capítulo 4, o número de tronos, porque aqui não há um grupo representativo que se assenta neles. Além do mais, os tronos do capítulo 4, e os do capítulo 20 estão sobre a terra.
  • 2. "...vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus". Observe-se que o apóstolo não vê aqui pessoa alguma que tenha sido decapitada e depois ressuscitada, mas apenas as suas almas; não vê pessoas, mas sim as suas almas. "Ah – dirá alguém –, as almas não se podem ver, por isso não é nada disso que o texto quer dizer!". Então eu respondo: "Você tem de acertar isso com Deus, pois Ele é o Autor das Escrituras. Eu gostaria muito de aprender tudo o que Ele escreveu, e não apenas corrigir e criticar." A incredulidade é, nos nossos dias, provocadora e atrevida.

Poderemos nós dizer quem é esta comunidade de mártires? Eu creio que sim. Depois que o Senhor tomar para Si os seus nos ares e durante o final da primeira metade da 70ª semana de anos de Daniel (Mt 24:14-15) e antes que se inicie a cruel perseguição por meio da besta que surge do abismo, muitos percorrerão as cidades de Israel (Mt 10:23) e irão às nações a fim de anunciarem o Evangelho – um testemunho especial para esse tempo e sua situação especial.

Vemos em Mateus 25:31-46 o resultado dessa pregação às nações. Muitas dessas santas testemunhas da verdade selarão as suas palavras com o seu próprio sangue. Elas nos serão apresentadas de modo especial em Ap 6:9-11, onde são mencionadas em conexão com o quinto selo. O seu clamor por vingança será ouvido e atendido. Mas nesse meio tempo elas deverão descansar, "até que também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram". Quem são esses conservos e irmãos, que também deverão morrer? Para isso devemos continuar lendo o nosso trecho em Apocalipse 20.

  • 3. "...tantos quantos não adoraram a besta, nem tão-pouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão". A ligação com o capítulo 13 é claramente reconhecível. A adoração da Besta, da sua imagem e o seu sinal na testa e na mão direita são claras referências ao capítulo 13. Em Ap 12:11 lemos sobre esse grupo de mártires: "Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e da palavra do testemunho que deram, e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida". Deste modo, estas duas perseguições, no capítulo 6 (mais genericamente) e no capítulo 13 (especialmente), referem-se a esses mártires, os quais acabamos de considerar no capítulo 20:4.

E lê-se ainda: "E viveram (inclusive os dois grupos mencionados anteriormente) e reinaram com Cristo durante mil anos". Esta frase refere-se a todos os santos mencionados neste verso.

Será um tempo abençoado para todos. Deus terá a Sua parte e as Suas delícias nesse glorioso reino. Todos os santos celestes terão o seu lugar especial nesse dia maravilhoso. E Israel, de igual modo, tomará o primeiro lugar sobre a Terra. Então, as nações e toda a Criação descansará de suas lidas e dores. Permita o Senhor que ainda hoje nós possamos dirigir os nossos olhares para esse glorioso dia!


41. Terão as 70 semanas de Daniel algo a ver com o tempo presente da Graça, no qual Deus está sendo longânimo para com o mundo?

Esta famosa profecia é um assunto muito interessante. Para todo aquele que examina as Escrituras proféticas, é muito importante ter uma clara compreensão a esse respeito.

As setenta semanas – semanas de anos – perfazem um espaço de 490 anos. "Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas (49 anos) e sessenta e duas semanas 434 anos): as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos" (Dn 9:25). Quando foi dada essa ordem para a restauração de Jerusalém? encontramo-la em Neemias 2. Da ordem de Artaxerxes até à entrada pública do Messias em Jerusalém, como Príncipe e Rei de Judá (Mt 21:5; Zc 9:9), decorreram, ao todo, 483 anos. Então é de excepcional importância observar-se que o tempo que se segue a esse acontecimento não entra na conta dessas semanas de anos.

O tempo da graça está interposto entre a 69ª e a 70ª semana de anos de Daniel. A morte do Messias, a destruição de Jerusalém e a anunciada dispersão são os acontecimentos que ocorreriam durante esse tempo, sem contudo fazer parte da 69ª ou da 70ª semana de anos (v. 26). É, portanto, um período interposto de grande significado, o qual já perdura há quase 2000 anos.

Se ignorássemos essa interposição, o futuro profético ser-nos-ia exposto de forma totalmente confusa, e todo aquele que estuda as Sagradas Escrituras veria diante de si dificuldades insupríveis. Durante esse tempo será anunciado, em todo o mundo, o testemunho do Filho de Deus ressurrecto.

Deus reúne, por meio do exercício da palavra e do Testemunho do Espírito, um povo para o Nome do Seu Filho exaltado. A noiva será chamada para fora da Terra e conduzida a Cristo por meio do deserto, como outrora Rebeca e Isaque (Gn 24). O domínio conjunto e poder sobre todas as obras das mãos de Deus foram transferidos para Cristo como Homem, e também para os membros do Seu amor – herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo.

Quando a presente obra da Graça tiver sido concluída, quando a família estiver reunida nas muitas moradas da casa do Pai (Jo 14:3), então se iniciará a septuagésima semana de Daniel. Os sete anos até que se completem as setenta semanas de anos (490 anos) estão, entretanto, ainda no futuro. O retorno dos judeus ao seu país, a reconstrução do templo, a aliança entre a massa incrédula dos Judeus e o cabeça do quarto império mundial – são as circunstâncias necessárias para o cumprimento desse último período de sete anos (Dn 9:27).

As setenta semanas de anos, ou seja, 490 anos da profecia no livro de Daniel, não têm, portanto, nada a ver com o tempo presente da graça.


42. O que se entende por apostasia em 2 Ts 2:3?

Este versículo não descreve a actual corrupção da Cristandade, mas sim o total abandono daquilo que a massa do povo ainda confessa hoje. Após o arrebatamento dos Santos, a aparência exterior do Cristianismo ainda perdurará algum tempo. Mas ai dos países da Cristandade, que a tocha da verdade divina iluminou! A apostasia será então de enorme envergadura.

O louvor ao Deus que se manifestou na Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) será abolido e adorar-se-á Satanás, a Besta e o Falso Profeta – a trindade diabólica (Ap 13). Pedro apresenta-nos, na segunda epístola, um quadro do ateísmo daquele dia; mas Judas dá um passo mais além na sua breve carta e mostra com particular veemência a apostasia da Cristandade.


43. Quando virá a grande apostasia e a manifestação do Anticristo?

As Escrituras predizem que a apostasia e a revelação do homem da iniquidade, ou seja, o Anticristo, ocorrerão após o arrebatamento da Igreja e antes do início do Dia do Senhor.

Se lermos cuidadosamente a palavra do apóstolo, poderemos verificar que ele utilizou a "vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo e a nossa reunião com Ele" (2 Ts 2:1) como argumento a fim de encorajar os aflitos Tessalonicenses e para lhes mostrar que o Dia do Senhor ainda não tinha chegado. Porque deveriam eles inquietar-se devido à perseguição por parte dos Judeus ou das nações e confundirem esse facto com o Dia do Senhor? O Senhor ainda não tinha vindo e eles não tinham sido reunidos a Ele. Como poderia ter sido iniciado o Juízo, se o "Dia", com o qual o Juízo está associado, ainda não tinha chegado?

Outra prova era o facto de que primeiro haveria de vir a apostasia e ser revelado o homem da iniquidade, o "filho da perdição". No Dia do Senhor, a Cristandade apóstata e o Anticristo (o homem da iniquidade) será assunto de especial atenção do Juízo de Deus; antes, porém, deverá vir a apostasia e ser revelado o homem da iniquidade. Por conseguinte, o apóstolo quer dizer: "O Dia do Senhor ainda não chegou, porque o Senhor ainda não veio e ainda nos não reuniu a Si; em segundo lugar, porque a apostasia ainda não veio e o homem da iniquidade ainda não foi revelado".

Portanto, virá primeiro a apostasia e será revelado o Anticristo, após o arrebatamento da Igreja e antes que o Senhor volte à Terra com os seus santos. Se lermos esse capítulo cuidadosamente, verificaremos que há ainda outras considerações que confirmam essa sequência relativa ao tempo dos acontecimentos.


44. Quais os nomes e títulos que são utilizados para o Anticristo nas Escrituras?

  1. "Anticristo" é uma expressão que encontramos apenas nas epístolas de João. Caracteriza em especial o seu carácter anticristão, o qual é expresso pelo facto de ele negar o Pai e o Filho (1 Ts 2:18-22).
  2. "Homem da iniquidade" (2 Ts 2:3). Toda a forma de injustiça terá a sua plenitude num homem; a iniquidade será concentrada, por assim dizer, num homem, que é aqui caracterizado como o "homem da iniquidade".
  3. Também é referido como o "filho da perdição" (2 Ts 2:3). Esta expressão caracteriza a sua horrível origem e o seu fim medonho.
  4. "O iníquo" (2 Ts 2:8) aponta-o como sendo o egoísmo personificado, em nítido contraste com Aquele que jamais buscou os Seus próprios interesses e, em lugar disso, fez o que era do agrado do Pai.
  5. "Outra besta" (Ap 13:11-16). Ele é o imitador de Cristo, em seu poder e em seu carácter; ele tem "dois chifres, parecendo cordeiro", mas as suas palavras revelam a sua origem satânica, pois fala "como dragão".
  6. "O falso profeta" (Ap 16:13; 19:20). Este nome mostra a sua influência enganadora, mediante a qual se apresentará à rebelde Israel, como porta-voz de Deus.
  7. "Pastor inútil e insensato" (Zc 11:15-17). Em lugar de apascentar o rebanho, esse pastor – que se levantará por justa retribuição de Deus, porque Israel rejeitou os Pastores e o Rei da parte de Jeová – tratará cruelmente o rebanho. Mas a espada (Juízo) lhe cairá sobre o seu poder e inteligência ("seu braço e olho direito") de que ele se enaltece.
  8. "Rei" (Dn 11:36). Aqui vemos o seu carácter real na Palestina.
  9. "Homem sanguinário e fraudulento" (Sl 5:6). Esta e outras denominações nos Salmos referem-se ao Anticristo. O seu significado provém do respectivo contexto.

45. Qual o relacionamento do Anticristo com as Nações?

O Anticristo, que há-de vir, não é um sistema nem tão-pouco um princípio, é uma pessoa. Das nações não poderá ser, porque, como poderia ele exigir o direito de ser recebido como Messias na Judeia? Daniel 11:37 evidencia que ele é um judeu: "Não terá respeito aos deuses de seus pais, nem respeito ao amor das mulheres...". De todos os povos da terra, apenas os Judeus possuem uma ligação tradicional com Deus (Rm 9:3-5). Já não se diz o mesmo das nações ou Gentios (Ef 2:12).

O grande desejo de todas as mulheres era virem a ser a mãe do Messias; por isso era uma vergonha serem estéreis. Portanto, o anticristo será judeu.

Em Apocalipse 13 são-nos apresentadas duas bestas – dois grandes poderes. A sua íntima ligação é, apesar dos seus caracteres independentes, claramente expressa nesse capítulo. Uma besta emerge do mar, a outra da terra. Eu creio que a besta do mar (versículos 1 a 8) com o "pequeno chifre" é idêntica à de Daniel 7. Essa besta blasfema é a plena expressão do poder da perdição de Satanás. O príncipe deste mundo encontrará uma pessoa que estará disposta e pronta a receber das suas mãos "todos os reinos do mundo" – que Cristo recusou (Lc 4:5-8). Esse gentio, que representa o quarto reino mundial, receberá todo o seu poder das mãos de Satanás e concordará com as condições assombrosas de Satanás.

Muito embora o poder se encontre nas mãos da primeira besta, na realidade ele será exercido por intermédio da segunda besta. Esta segunda besta (o Anticristo) imitará as funções reais e sacerdotais de Cristo e operará, efectivamente, grandes sinais e prodígios de modo a levar o mundo a deificar a primeira besta e o seu poder blasfemo.

Malignidade e impiedade os une; mas também um destino comum os encontrará: "Os dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre" (Ap 19:20).


46. Quem é o pequeno chifre em Daniel 7?

As personalidades importantes que irão surgir nos últimos dias da Cristandade e da apostasia dos Judeus são, frequentemente, confundidas. A extensão e a integridade das declarações proféticas são talvez menosprezadas por muitos. Se, porém, perdermos a visão nítida ou confundirmos alguns dos diversos actores sobre o movimentado palco dos acontecimentos futuros, seremos então guiados em mais de um ponto na direcção errada, pois a visão panorâmica profética foi desenvolvida cuidadosa e completamente pelo Espírito de Deus. O todo não só é uma unidade harmónica, como também todos os pormenores são ajustados mutuamente e completam-se reciprocamente até nos mínimos detalhes. O que necessitamos com urgência é de muita graça, afim de tomarmos consciência da nossa própria falta de conhecimentos e esperarmos pela luz e direcção de Deus. Por isso é útil que se faça uma clara distinção entre os chifres nos capítulos 7 e 8 – tanto para reconhecer o grande bastidor, como também para classificar correctamente muitos pormenores interessantes que ocorrerão no final da era.

Daniel esboça, resumidamente, a sucessão histórica dos quatro reinos, da ruína política de Judá até à segunda vinda do Senhor. Muitos volumes impressos já foram escritos sobre o antigo reino da Babilónia, da Pérsia e da Grécia, mas o Espírito de Deus dedica neste capítulo a cada uma dessas potências apenas um versículo (v. 4, 5 e 6); no entanto, em cada um desses versículos estão condensados os pontos essenciais que são importantes para nós. E, de um modo geral, também não encontramos muito mais sobre tal assunto nos sábios trabalhos dos historiadores.

De um quarto "animal, terrível, espantosos e sobremodo forte" (v. 7) é o assunto de especial atenção nesse capítulo. É o reino que, no seu representante, Pilatos, entregou o Senhor Jesus ao intento dos Judeus. Esse reino, conforme o versículo 24, irá dividir-se em dez reinos. O "pequeno chifre" dará, entretanto, união e estabilidade a esse reino. Ele se levantará entre os dez chifres ou reis e crescerá em poder e importância até que todo o poder da besta esteja concentrado em si mesmo e venha a tornar-se o cabeça do reino. A extensão desse gigantesco poder ímpio e seu esplendor, como também o seu total extermínio, estão intimamente ligados a esse terrível perseguidor dos santos e aos blasfemadores.

Essa situação de dez chifres, do império romano, é, efectivamente, certa e ainda futura, visto que no século V, quando a horda de bárbaros invadiu o império, este foi totalmente destruído, e o resultado foi a Europa, tal como a hoje conhecemos (d). Mas poderia alguém afirmar o despedaçamento desse vasto e poderoso império do ocidente, e o surgimento dos numerosos estados independentes, formados dos seus fragmentos? Impossível! Contudo, isto é o exacto cumprimento dessa passagem bíblica!

O que é mais importante, e que devemos saber, é que Deus anunciou o ressurgimento desse império – acima de tudo, um ressurgimento satânico – e na Palavra de Deus nós podemos confiar!

Carlos, "O Grande", e Napoleão I tentaram um ressurgimento do Império Romano dessa natureza, e alguns chefes de Estado europeus louvaram determinadas tentativas de unificação, mas em vão. É que o tempo de Deus ainda não tinha chegado!

Não será o homem, mas sim Satanás quem operará essa unificação (Ap 17:8). Após a sua divisão em reinos, esse pequeno chifre, com a ajuda de Satanás, tomará posse do reino mundial. Esse importante capítulo profético descreve a sua modesta ascensão, a sua política progressista, o seu carácter e os seus feitos. Ele será o grande líder político e o dominador de destaque no mundo ocidental. O pequeno chifre é um poder que se distingue, por um lado, do Anticristo, e, por outro, do pequeno chifre no Oriente (Daniel 8).

(d) – Devemos notar que o autor escreveu este livro em 1876 – na altura, ainda nem sequer se falava na "União Europeia". que os actuais países membros da Comunidade Europeia pretendem instituir. Aliás, e na opinião do editor, a actual União Europeia é o embriãodo Império Romano Ressurgido.


47. Quem é o Pequeno Chifre em Daniel 8?

O cenário de Daniel situa-se no Norte. O enunciado fundamental deste capítulo é claro: O carneiro com dois chifres (v. 3 e 20) é o poder medo-persa. Ele avança em suas marchas de conquista para o ocidente, norte e sul, partindo do oriente. Vitorioso, submete reinos e age com egoísmo. A nossa atenção é então dirigida para um bode, o qual vinha do ocidente com um "chifre notável entre os olhos". Qual é este poder, que pode resistir eficazmente à Pérsia, que disputa o seu domínio mundial e aniquila o tirano do oriente? A explicação de Gabriel é curta e clara: "Mas o bode peludo é o rei da Grécia; o chifre grande entre os olhos é o primeiro rei" (v. 21).

A História é útil no seu lugar; mas se a aproveitarmos para a explicação da Palavra de Deus e a considerarmos como indispensável para a compreensão das Escrituras, então teremos de rejeitar esse princípio como errado, pois dessa maneira é desonrado o Espírito de Deus. Somente Ele pode perscrutar as "profundezas de Deus" e somente Ele é também o poder que nos transmite essas "profundezas" e nos faz entendê-las (1 Co 2:9-16).

Se quisermos explicar as Escrituras Proféticas por meio da História, sofreremos um duplo prejuízo. Por um lado, deixa a profecia de ser profecia, pois profecia cumprida é somente história; por outro lado, perde-se o valor profético da Palavra Profética. Para mim, não seria mais "uma candeia que brilha em lugar tenebroso" (2 Pe 1:19-21), se a profecia pudesse ser compreendida à parca luz dos historiadores. E acrescente-se ainda que muitas coisas na Bíblia seriam para a maioria um livro selado se eu as quisesse explicar com base na fraca luz da História. As profecias de Daniel, as visões de Ezequiel e o Apocalipse de João podem ser entendidos apenas por meio de um mesmo poder – o Espírito Santo – segundo umas simples e, no entanto, tão singulares palavras do Senhor Jesus em João 14.

As fulminantes e furiosas investidas do célebre chefe de Estado e marechal, Alexandre – O Grande, (elas pronunciam uma sentença principalmente contra a Pérsia, porque da nação de Alexandre se infligiu muita afronta e injustiça), são descritas com muita nitidez e em poucas linhas pela pena de Deus. E isto não somente após ter lugar esse acontecimento, mas muito tempo antes de, tanto a Pérsia, como a Grécia, representarem uma potência.

Segue-se então a extraordinariamente rápida e violenta expansão do Império Grego sob o seu célebre "primeiro rei". "O bode se engrandeceu sobremaneira; e na sua força quebrou-se-lhe o grande chifre" (v. 8). No ápice do seu poder, quando um mundo derrotado jazia a seus pés, quando todos os reis e príncipes, desde o Ganges até ao Mar Mediterrâneo, reconheciam o seu domínio e recebiam as suas coroas das mãos dele, quando, no espaço de 12 anos, um reino estava formado, reino que era incomparável no seu poder e expansão, Alexandre foi ceifado na viçosa idade de 32 anos! As aptidões de Alexandre, para estabelecer e liderar um tal reino, eram tão excepcionais que não se encontrou entre os seus generais um sucessor correspondente. Após a morte de Alexandre, contendem entre si o poder. Dois dos quatro reinos em que o Império de Alexandre se decompôs desempenham um papel não menos importante na Palavra Profética. Esses dois reinos são a Síria e o Egipto – os soberanos que, na Palavra de Deus (Dn 11) são denominados como rei do Norte (Síria) e o rei do Sul (Egipto). Neste contexto, é importante que Jerusalém, como cidade, e Judá, como país, sejam os centros das vias governamentais de Deus sobre a Terra. Os soberbos turcos andam a passos orgulhosos através dessa gloriosa cidade, à qual o Redentor tanto amou e sobre a qual Ele chorou; as nações olham com desprezo os Judeus que, prostrados de joelhos, choram, profundamente entristecidos, diante do "Muro das Lamentações". Mas Deus reserva coisas melhores para o Seu povo disperso. "Gloriosas coisas se têm dito de ti, ó cidade de Deus". "Os meus olhos e o meu coração estarão ali todos os dias" (Sl 87:13; 1 Re 9:3; Dt 11:12).

Imagine-se em Jerusalém, amado leitor, e poderá dizer imediatamente o que é que está relacionado com "norte" e "sul", "oriente" e "ocidente". Nos versos 9 e 10 vemos o "pequeno chifre" invadir do Norte a "terra gloriosa" (Judá) e aniquilar o líder nacional e religioso – "do exército e das estrelas"; "e deitou por terra a verdade" (v. 12). Quem é esse terrível e cruel inimigo dos Judeus? Penso que as Escrituras se referem a Antíoco Epifânio, o rei do Norte, ou seja, a Síria,, cujo ódio contra os Judeus não conhecia limites. O que se fala sobre ele nos versos 9 e 10 e na parte final do v. 12 encontrou o seu exacto cumprimento na História. No entanto, na sua explicação, Gabriel aponta para o tempo do fim. Agora já podemos entender (v. 16), mas o seu efectivo e completo cumprimento será alcançado somente no "tempo do fim" (v. 17).

No verso 23 trata-se de um rei que representa a anti-imagem de Antíoco. O carácter e os feitos desse rei de "feroz catadura" são descritos em pormenor nos versos 23 a 25. Isaías 10 denomina-o como sendo o Assírio e Isaías 28 como o "dilúvio do açoite". Ele é o rei do Norte, o grande opositor político dos Judeus nos últimos dias. Mais informações sobre esse rei, bem como sobre o rei do Sul, são-nos dadas em Daniel 11. A Judeia sempre foi o alvo das investidas desse rei. O ressurgimento desse reino, o seu ódio recíproco, bem como a sua inimizade profundamente enraizada contra o Anticristo, o qual estará sendo então o rei na Judeia, são-nos descritos pormenorizadamente no capítulo 11. Precisamos de estar sempre a recordar que a história dos quatro reinos mundiais ocupa um lugar importante entre as verdades proféticas. Daniel 7 e o Apocalipse ocupam-se deste tema. Há, porém, além disso, um outro grupo de nações fora dos poderes do ocidente, das quais o rei do Norte, ou o "pequeno chifre" é o líder. Os poderes do ocidente farão uma aliança com os Judeus como nação, e encararão os seus assuntos amistosamente. Os poderes do nordeste, opondo-se a isso, concentrarão todas as suas forças para destruírem Israel como povo.

O pequeno chifre em Daniel 7 é o grande líder do Ocidente. O pequeno chifre do capítulo 8, pelo contrário, é o grande líder do nordeste. Por esse motivo, nesse capítulo (8) não se trata nem do primeiro (Babilónia), nem do quarto (império Romano) dos quatro reinos.


48. Quem são os personagens principais desses decisivos acontecimentos futuros?

Nos últimos dias haverá quatro personagens principais e toda a cena estará sob a direcção de Satanás – o anjo do abismo (Ap 9:11).

  • a) O Pequeno Chifre de Daniel 7, ou seja, a primeira besta de Ap 13, o poder mundial, que foi transferido para as nações na pessoa de Nabucodonosor (Daniel 2), manifestar-se-á num levantamento aberto contra o Cordeiro e os Seus santos (Ap 19:19-21); essa besta, ou pequeno chifre, será a força propulsora na decadência civil.
  • b) O Anticristo será responsável pela apostasia dos Judeus, na medida em que nega a Cristo como sendo o Messias (2 Jo 7), e também pela apostasia cristã, na qual ele nega o Pai e o Filho (1 Jo 2:22). Também reinará como rei na Palestina (Dn 11:36) e como tal será recebido pela nação rebelde (João 5:43).
  • c) O Rei do Norte, ou "pequeno chifre" de Daniel, também designado nos Profetas como "o Assírio" (Is10 e ss.), serve nas mãos do Senhor como açoite para o povo caído de então. É ele o cabeça da coligação que, em si mesma, tem como objectivo a total destruição de Israel, o extermínio do seu nome e da sua nacionalidade da face da Terra (Sl 85) – o grande inimigo político de Israel nos tempos do fim.
  • d) O Rei do Sul (Egipto) não terá a mesma importância do seu parceiro (o rei do Norte). Todas estas potências receberão o seu poder e serão dirigidas por Satanás, o príncipe deste mundo.

49. Porque se diz, acerca da Besta, que, uma vez, emerge do mar (Ap 13:1) e, outra vez, do abismo (Ap 17:8)?

A besta – o quarto reino – que emerge do mar, indica com isso, a sua origem humana. Surge, como também os outros reinos (Dn 7:3), de um estado de completa inquietação: os povos estão como um mar agitado; encontram-se numa situação que está marcada pela anarquia e pela confusão.

Em Ap 17 vemos que a besta "que está para emergir do abismo" – isso indica que recebe directamente de Satanás o poder para o seu ressurgimento.


50. Como será a situação geral nos últimos dias?

Os Judeus retornarão à sua terra por intermédio de uma ajuda amistosa que até então, pelo menos activamente, nada tinha a ver com os Judeus (Is18). De retorno, em incredulidade, reedificarão o seu templo destruído e a cidade, oferecerão sacrifícios, cumprirão as festas e guardarão os sábados como em tempos passados.

O Anticristo será aceite como rei pela maior parte do povo, e reinará na Palestina, tendo, por detrás de si, o poder do Império Romano. Para se defenderem contra as ameaças do rei do Norte, os líderes dos Judeus farão uma aliança com o ressurgido império romano "por uma semana" (isto é, por 7 anos, Dn 9:27). O cabeça do Império Romano consentirá em proteger os seus privilégios religiosos e também assumirá a protecção contra o cruel adversário do norte.

Todavia, apesar dessa aliança, o rei do norte invadirá o país e aniquilará a liderança secular e religiosa; ocupará Jerusalém, ou, pelo menos, metade da cidade, e procederá com grande crueldade contra os seus habitantes.

Após três anos e meio, ou seja, "na metade da semana" (Dn 9:27), o cabeça do império romano, auxiliado pelo Anticristo, romperá a aliança e coagirá a nação à idolatria. "O abominável da desolação" será posto no tempo, visível a todos, isto é, colocar-se-á um ídolo no lugar santo. Isso será para os judeus tementes a Deus o sinal para a fuga, como o Senhor muito antes já havia anunciado (Mt 24:15; comparar com Dn 12:11).

Quem se recusar a adorar Satanás e aos seus instrumentos – a besta de Ap 13:1-8 (ou homem da iniquidade, 2 Ts 2:3) – precisará, nessa época terrível, ou de fugir ou de padecer a morte. Todo o poder desse império cruel será desencadeado contra essas santas testemunhas e mártires, Por três anos e meio haverá um inimaginável tempo de horror, o qual nunca houve ou jamais se repetirá. A tentação, a calamidade, a oração e a profissão de fé do restante de Judá temente a Deus, durante esse tempo, são-nos descritas nos Salmos.

Todos os pecados do povo se tornarão conscientes para eles e serão por eles reconhecidos – a crucificação do Messias, a culpa de uma lei quebrada, o grande desprezo do governo de Deus, a sua terrível idolatria, a aceitação do falso messias, a sua história como povo desde a libertação do Egipto. Um terço do povo se converterá (Zc 13:8) e converter-se-á e será para o Senhor como uma linhagem (Sl 22:30); será a semente do povo feliz no milénio da paz e da glória. As dez tribos retornarão à sua terra e, após o Senhor ter vindo, reunir-se-ão a Judá. Os profetas Ezequiel, Isaías, Daniel e Zacarias dão-nos informações exactas sobre esse acontecimento.


51. Quem são aqueles que tanto terão de padecer na Grande Tribulação?

O tremendo terror desse período de tempo vindouro é-nos descrito em Marcos 13:19 em toda a sua gravidade: "Porque, naqueles dias, haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da Criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá". A sua duração está limitada a três anos e meio, no fim dos quais virá o Filho do Homem (Ap 13; Mt 24:15- 30).

As passagens mais importantes que falam sobre esse tempo de horror incomparável, aparecem primeiramente em Jr 30:7, onde nos é descrito como a "angústia de Jacob". Em segundo lugar, em Dn 12:1, vemos que o povo de Daniel, os Judeus, são os que se irão encontrar na grande tribulação. E em terceiro lugar, a passagem de Mt 24:15 e Mt 13:19. Nestas passagens neotestamentárias o Senhor refere-Se a Dn 12:1-11. Ele fala dos discípulos nessa tribulação, que, por esse motivo, devem orar para que a sua "fuga se não dê no Inverno, nem no sábado". Fugirão da Judeia para as montanhas, em busca de protecção e segurança contra a grande perturbação então irrompida. Tudo isto mostra claramente que, nessa tribulação, só estarão pessoas que se encontrarem na condição de Judeus.

Mas haverá certamente outros que também padecerão sob ela; no entanto, a tribulação propriamente dita assolará principalmente Jerusalém. Ali se encontrará a fornalha da aflição acesa "sete vezes mais" , antes de esse horror se estender por toda a Terra (Ap 7:9-17).

Em quarto lugar, podemos reconhecer perfeitamente as nações, que virão da tribulação (Ap 7:14), se distinguem dos santos, pois um dos anciãos fala acerca da multidão incontável que vinha da tribulação. Torna-se, assim, clara a distinção feita entre os dois grupos. Nem sequer uma parte, ainda que mínima, da verdadeira Igreja passará pela tribulação. Uma passagem das Escrituras acentua de modo especial que a verdadeira Igreja estará a salvo dela: "Porque guardaste a palavra da minha paciência, também Eu te guardarei da hora da tentação que há-de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na Terra" (Ap 3:10). A promessa não fala de uma protecção na provação, como Noé foi protegido na Arca, mas sim da provação, como Enoque foi guardado do dilúvio. Tanto os Judeus como os Gentios – mas não a Igreja – passarão por essa incomparável tribulação.


52. Os 144.000 em Ap 7 são as mesmas pessoas de Ap 14?

Em Ap 7:1-8 trata-se das doze tribos, e não apenas de Judá. 144 mil – a ideia aqui é de um número determinado – são escolhidos e separados por Deus para desfrutarem das bênçãos do reino milenário sobre a Terra. Os 144.000 no capítulo 14 são um outro grupo. São os restantes, preservados de Judá. As dez tribos de Israel não retornarão do mesmo modo à sua terra, nem terão de padecer na sua terra, como o Judeus, pois não foram eles que crucificaram a Jesus, nem serão eles que receberão o Anticristo.

Por isso eu penso que esses 144.000 do capítulo 14 são os selados de Judá, em contraposição com a massa do povo que receberá a marca da besta. Isto torna suficientemente clara a diferença entre ambos os grupos.


53. Quem são os de voz como de harpa em Ap 14:2-3?

Suponho que sejam os mártires de Judá. Eles entoam um novo cântico no Céu e diante dos anciãos; distinguem-se, portanto, destes, ou seja, dos crentes que viveram desde Adão até ao arrebatamento (1 Ts 4:15-17). Entre esses mártires e os 144.000 sobre o monte Sião há uma estreita ligação. O cântico desses mártires só pode ser aprendido por estes 144.000. Os restantes, que foram protegidos sobre a Terra, aprendem o cântico desses mártires que estão no Céu; ambos os grupos são judeus.


54. Quem é a grande meretriz que se acha assentada sobre muitas águas (Ap 17)

Após o arrebatamento da Igreja aos céus haverá um ajuntamento muito numeroso dos diferentes partidos religiosos e seitas então existentes. O Anticristo realizará essa unificação e constituir-se-á a si mesmo o seu chefe. Os sistemas religiosos existentes na Terra aceitarão bem depressa uma unidade interna e serão fortificados e dirigidos por meio de um ardil satânico.

Todos os líderes políticos e religiosos clamarão por "unificação". Os homens estarão cansados já das polémicas e discordâncias no seio da cristandade e procurarão a qualquer preço conseguir uma unidade. Por outro lado, apesar dos esforços diplomáticos, não será possível realizar um "equilíbrio de forças" na Europa. O continente transformar-se-á num grande acampamento militar, e a discórdia será inevitável. Satanás realizará em breve o anseio do homem: Como deus deste mundo, colocará o Anticristo na sua posição de liderança e reunirá as diferentes seitas e igrejas da cristandade corrompida. E, como príncipe deste mundo, dará às nações da Europa um rei, que conciliará as nações e potências até agora rivais, ficando assim mais bem preparadas para essa guerra assoladora.

Por tal motivo, caro leitor, proteja-se contra os engodos de Satanás. A intensidade do mal, como será francamente manifesto nos últimos dias do Anticristo e na besta, está desde já fazendo rápidos progressos. E a nossa única segurança está em nos firmarmos em Deus e na Palavra da Sua Graça.

Satanás imitará na grande meretriz a verdadeira noiva, e do mesmo modo imitará o Cordeiro no Anticristo. Procurará imitar o Reino de Cristo por meio do reino da besta, e o Rei dos reis por meio do rei dos dez reinos.

Tiatira, ou seja, o Papado com os seus filhos (Ap 2:20-23), e Sardes, que representa o protestantismo com os seus muitos agrupamentos (Ap 3:1-3), serão fundidos nos últimos dias (e para o redactor igualmente se reunirão a eles a maioria [se não todas] as seitas e religiões mundiais) formando assim a grande meretriz do Apocalipse.

A grande meretriz é-nos apresentada como sendo uma cidade (Ap 17:18), assim como a verdadeira Igreja em Ap 21 é vista em símbolo como uma cidade. A grande meretriz, essa mulher pérfida e pecaminosa, está adornada e vista com a glória e esplendor deste mundo. A verdadeira e santa Noiva do Cordeiro estará lá na glória de Deus. A falsa é denominada como sendo "mistério"; a verdadeira é-nos explicada como um "mistério" (Ef5:32). A grande meretriz, a falsa noiva, será exterminada pelos reis da Terra; a verdadeira Noiva recebe as homenagens do Rei do Reino Milenário. A grande meretriz é o futuro sistema religioso corrupto sobre a Terra, o qual alega, na sua hipocrisia, ser a verdadeira noiva de Cristo.


55. As nações, que serão destruídas em Zc. 14, são idênticas às de Ap 19?

Oprofeta Zacarias escreve: "Porque Eu ajuntarei todas as nações para a peleja em Jerusalém" ; o apóstolo S.João diz: "E vi a besta, e os reis da Terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e ao seu exército". Zacarias fala dos inimigos de Jerusalém; João escreve acerca dos inimigos do Cordeiro. Judá combaterá em Jerusalém; o Cordeiro, ocupar-se-á, entretanto, dos seus inimigos. O restante das nações que estiver reunido em Jerusalém irá adorar anualmente e celebrar a Festa dos Tabernáculos. O restante das multidões, que se reunirá contra o Cordeiro, será aniquilado.

As nações em Zc 14 serão reunidas sob a liderança do grande poderio norte-oriental, do terrível inimigo dos Judeus; enquanto que em Ap 19 estarão sob a direcção da besta e do falso profeta. O Apocalipse preocupa-se principalmente com os últimos dias da apostasia da cristandade e apenas com o fim e a aniquilação do quarto reino mundial. As muitas nações ao norte e ao oriente da Palestina, cuja inimizade é dirigida directamente contra Israel, não aparecem nas visões do Apocalipse.


56. Quem é Gog, Príncipe e Chefe de Mesech e Tubal (Ez 38)?

Na tradução grega do Velho Testamento, a Septuaginta – iniciada cerca de 300 anos antes do nascimento de Cristo e frequentemente citada pelo Senhor e pelos escritores do Novo Testamento – consta: "Gogue, príncipe de Rôs, Meseque e Tubal". Sem dúvida, trata-se nessa expressão do poderio russo e das suas numerosas tribos, que formam uma parte desse império (e) .

Gog, ou Gogue, é a denominação simbólica para o chefe de todos os russos. Magogue é o seu país, da mesma forma uma expressão simbólica. Caso haja ainda ponderações contra esta interpretação, essas dúvidas serão solucionadas pelos nomes de ambas as antigas capitais. A parte siberiana ou asiática da Rússia tem a sua capital em Tubal, ou seja, em Tubolski, enquanto que a capital europeia é Mesech, ou seja, Moscovo.

Assim, a Rússia foi claramente mencionada na Palavra de Deus muitos séculos antes de ter sido conhecida nominativamente. E Gogue, chefe desse reino, que se associará com a Pérsia e outros países e em soberba teimosia se colocará à frente deles, como seu chefe, roubará, saqueará e finalmente tentará destruir Israel, que já terá retornado à sua terra, onde "vivem seguros" e habitam "sem muros".

Cobrirão a terra como uma nuvem e lá encontrarão o seu terrível fim: as montanhas e planícies de Israel serão a sua sepultura. O Juízo de Deus também atingirá a terra de Gogue (Rússia) e seus aliados. Durante sete anos se queimarão as armas dessa guerra. As riquezas dos saqueadores pertencerão aos saqueados; sete meses serão necessários para sepultar a incontável multidão de Gogue e seus aliados (Ez 38 e 39).

(e) – Note-se que na altura em que Walter Scott escreveu estes estudos, a Rússia existente era a dos Czares. Posteriormente, a Rússia foi a principal república da União Soviética que, contudo, se desmembrou em 1991. É notável como a Bíblia permanece, apesar das mutações políticas. Toda a exposição de Walter Scott, apesar de distanciada de mais de um século, continua a ser actual.


57. Quem se entende por Gogue e Magogue em Ap 20:8?

A inumerável multidão que Satanás ajuntará no final do Reino Milenário é assinalada simbólica e não literalmente aqui em Ap 20 como sendo "Gogue e Magogue". Nessa altura Gogue e seus aliados de Ez 38 e 39 já terão sido aniquilados. Por outro lado, Gogue e Magogue de Ez 38 e 39 não podem ser localizados geograficamente "nos quatro cantos da Terra", de onde Satanás reunirá então os seus aliados. Contudo, apesar da sua diferenciação histórica, a sua identidade moral (o seu objectivo) é evidente. Ambos serão atingidos por um severo Juízo divino, previamente anunciado.


58. Quem são as 2 testemunhas de Ap 11?

Estas duas testemunhas proféticas da vindo do Messias no Seu reino e glória darão o seu testemunho em Jerusalém, até então o trono da corrupção. A característica dos milagres, do seu trabalho e da sua divina missão significa que o povo se encontra cativo dos gentios, como aconteceu no tempo de Moisés (ver Ap 11:6b) e da apostasia da verdade e de Deus (v. 5-6a).

Testificarão durante três anos e meio, ou seja, na segunda metade da 70ª. semana da Daniel. Serão então degoladas, mas ressuscitarão ao fim de três anos e meio, para depois subirem ao céu (f).

(f) – Nota do Redactor: A propósito da identidade destas duas testemunhas, têm-se posto várias hipóteses. Assim, há quem considere que podem ser duas ou mais, pois o seu propósito é cumprir o testemunho que a lei exige. Esta posição é todavia rejeitada pela maior parte dos intérpretes da Bíblia. Considerando que são apenas duas as testemunhas, há quem considere que se trata de Moisés e Elias. Os argumentos a favor desta concepção prendem-se com o facto de Moisés e Elias terem sido os que antes do Senhor Jesus Cristo morrer se juntaram a Ele na Sua transfiguração, e por outro lado, pelos sinais que as duas testemunhas vão realizar se assemelharem aos realizados por Moisés e Elias durante a sua presença na Terra. Assim, o poder sobre as fontes, rios, etc. faz-nos lembrar de Moisés. O controlo do tempo (chuva e sol), de Elias.

Outra concepção é a que considera as duas testemunhas como sendo Enoque e Elias. O argumento fundamental prende-se com o facto destes terem sido os únicos homens do Velho Testamento que não sofreram a morte – e porque aos homens está ordenado morrerem uma vez vindo depois disto o juizo... seria sua vez de morrerem e depois ressuscitarem... Contudo, haverá muitos que não chegarão a passar pela morte física – os que forem arrebatados aquando da primeira fase da segunda Vinda de Cristo à Terra.

Ninguém pode afirmar com absoluta segurança a identidade destas duas testemunhas. Podem ser Moisés e Elias, Elias e Enoque, bem como quaisquer outros homens de Deus. O importante é a missão que desempenharão na terra durante a segunda metade dos sete anos de "Grande tribulação".


59. Quem é o Rei do Sul? (Dn 11:5)

Não temos qualquer dúvida de que, ao mencionar o rei do Sul, Daniel se referia ao reino ou país do Egipto, que foi no passado, o competidor do rei do Norte (Síria), assim como de futuro continuará a ser o seu antagonista (Dn 11:5-29).

Como a Palestina se encontra situada geograficamente, entre estes dois reinos, o da Síria e do Egipto, tem estado sempre exposta aos ataques dessas duas potências. Depois da dissolução do império grego, que decaiu após a morte do seu imperador, o famoso Alexandre Magno, a Judeia converteu-se numa província sempre sujeita, quer ao rei do norte, quer ao rei do sul, conforme era um ou outro que dominava. Por fim, converteu-se numa província romana, quando foi conquistada pelo Império Romano, por volta do ano 63 a.C.


60. Os sofrimentos que hão-de cair durante a Grande Tribulação terão características especiais?

O climax da maldade nacional dos judeus foi um facto ignominioso, quando mataram o seu Messias. Por causa disso, o povo sofrerá no futuro uma dupla opressão sob o poder do Anticristo, que os submergirá na apostasia, e também sobre o grande tirano opressor do norte, o "Sírio", que uma e outra vez assolará a terra e destruirá o povo.

Então, por causa da sua terrível angústia, o homem buscará a morte. Esta, porém, fugirá dele (Ap 9:6). "Naqueles dias, haverá uma aflição tal, a qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá" (Mc 13:19). Deixado livre o poder de Satanás na Palestina, ele acarretará o tempo vindouro ou período de aflição, que nos é referido como "a grande tribulação".


61. Qual a capital do Império Romano Ressurgido?

Tendo em conta o texto de Ap 17:9-18, podemos afirmar que a capital do ressurgido império Romano será Roma, "a cidade sentada sobre sete colinas". Neste processo, a Itália reivindicará rapidamente uma clara preponderância, ocupando muito em breve um lugar de comando e direcção entre as potências ocidentais.

Aquela que tem sido, impropriamente, chamada de cidade eterna, cuja sede do papado gozará no princípio do dito império um breve tempo de triunfo, sê-lo-á também dos dez reinos. Ambos os aspectos são tratados com clareza no já citado texto do Apocalipse. Ai, pobres das nações chamadas "cristãs" nesse tempo futuro!

Passado um curto espaço de tempo, uma Europa apóstata e bem apetrechada com poderosas armas terá a ousadia de fazer frente ao santo Cordeiro de Deus, elevando o seu braço doente. Mas já foi pronunciada a sua ruína e perdição (Ap 19:19-21).


62. Qual o significado do Tempo dos Gentios (Lc 21:24)?

Esta expressão refere-se ao longo do período de tempo em que o governo do mundo se encontra nas mãos dos gentios, o qual começou com a destruição de Jerusalém, em 588 AC, quando a Babilónia e os gentios foram feitos sede e centro do governo da terra, em vez de ser Jerusalém e o povo de Deus.

O fim desse período será quando o Senhor efectuar o Seu Juízo pessoal sobre o poder dos gentios (Dn 2:44-45) e quando Ele transferir o governo da terra das mãos dos gentios para Jerusalém e o povo judeu. Tudo isto se verificará na altura em que o Senhor Jesus aparecer na glória dos céus. (Dn 7:18-27).


63. O Anticristo será Judeu ou Gentio?

Tem de ser judeu pois, doutro modo, não teriam eco, nem seriam recebidas as suas pretensões messiânicas na Judeia. "Do Deus dos seus pais não farão caso, nem do amor das mulheres". Jeová, o Deus nacional de Israel, será designado pelo Seu primeiro nome, e "O Messias", que sempre tem sido a expectativa das piedosas mulheres, desde a antiguidade, será chamado pelo Seu último nome.

"O rei" se levantará a si mesmo em aberta oposição contra os dois: contra Jeová e contra o Messias (Dn 11:37). O apóstolo João chama-lhe "anticristo" nas suas epístolas, assinalando assim o seu carácter religioso. Em Ap 13:11, fala-se dele como dum poder político. No capítulo 19 é referido como o "falso profeta" entre os judeus, enquanto que o apóstolo dos gentios lhe chama "o homem do pecado", "o filho da perdição" e "aquele iníquo" (2 Ts 2).

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