Assembleias de «Irmãos» em Portugal

Estudos Bíblicos

CAPÍTULO II – INTRODUÇÃO À PROFECIA BÍBLICA

8. Diferença entre a "Bendita Esperança" e a "Manifestação da Glória" (Tito 2:13)

O próprio Senhor Jesus Cristo é denominado literalmente como "Nossa Esperança" (1 Tm 1:1). Esta "bendita esperança" nada tem a ver com as profecias do Velho Testamento. Ele mesmo virá. Essa insondável glória moral da Pessoa do Senhor Jesus está muito além da Sua glória, a qual brilhará em todo o seu esplendor, quando Ele frustrar os planos dos sábios e humilhar os soberbos e altivos, Nós fixamos os nossos olhares numa Pessoa, em Jesus, que nos livra da ira vindoura (1 Ts 1:10). Esperamos pelo Senhor Jesus; esta é a nossa esperança. Não são as coroas, as harpas, ou as vestes esplêndidas; não é a glória nem o Reino, mas Ele mesmo! Por este motivo, ela é descrita mui acertadamente como abençoada ou ainda "bem-aventurada esperança".

A "manifestação da glória" não está relacionada com a vinda de Cristo para os Seus santos, mas sim com o evento seguinte – a Sua Vinda com eles. Por este motivo é descrita como "manifestação da glória", porque tanto o mundo como os anjos serão testemunhas da Vinda de Cristo. Naquele dia Ele virá vestido com muita dignidade (Ap 19:12). Como crente, espero essa bem-aventurada esperança; como servo, as minhas expectativas estão postas na Sua manifestação em glória. Enquanto durar a primeira, mera graça, a última estará associada à minha responsabilidade. Com aquela, ocupo-me com Ele inteiramente com a Estrela da Manhã; com esta, ocupo-me com a glória do Seu Reino.


9. "A Bem-Aventurada Esperança" (Tito 2:13)

Isto baseia-se na manifestação gloriosa, quando Cristo e os santos aparecerem juntos, com a mesma glória, ao mesmo tempo e em que todos os santos juntos, nessa "bem-aventurada esperança" serão transportados à casa do Pai e à Sua Presença (Jo 17:22; Cl 3:4).


10. Há diferença entre o Reino e a Igreja?

SIM. O Reino será antes de tudo assinalado pelo poder e glória (1 Co 15:23; 2 Pe 1:16,17; Sl 145:11-13). A Igreja, ao contrário, é a comunidade dos salvos (At 20:28; Ef 5:23-25). Quando falo do Reino, penso em Cristo como Rei (Sl 2); mas quando falo da Igreja, penso em Cristo como sua Cabeça (Ef 5:23). Muitos estarão no Reino, embora ainda não se tenham convertido realmente a Deus (Mt 13; 25;1-12). Porém, na verdadeira Igreja, não há ninguém, a não ser aqueles que estão unidos a Cristo por meio do Espírito Santo (1 Co 12:12). No primeiro caso, trata-se da proclamação da vida; no segundo, porém, da verdadeira posse da vida. Finalmente, no Reino, de momento, o mal não está sendo julgado (Mt 13:28-30); na Igreja, o mal tem de ser removido (1 Co 5).


11. Qual a diferença entre "Reino dos Céus" e "Reino de Deus"

O Reino dos Céus é uma expressão utilizada principalmente no Evangelho segundo S.Mateus; aparece ali cerca de trinta vezes. Simboliza um determinado governo ou período de tempo, enquanto que a expressão Reino de Deus é empregada mais no sentido moral.

O "Reino dos Céus" foi anunciado como próximo (Mt 3:2). Isto abrange também o "Reino de Deus", mas o "Reino de Deus está entre vós" (Lc 17:21). O Reino de Deus está entre nós em poder moral. O "Reino de Deus" havia chegado, porque Cristo estava operando entre eles com sinais poderosos (Mt 12:28). Do "Reino dos Céus" não se pode dizer o mesmo, quer pelo carácter misterioso que envolve esse Reino, quer pela forma visível como será erigido.

Aos mistérios do Reino está ligado o facto de que Cristo deveria padecer a morte e em seguida ser exaltado à direita de Deus, e, para a manifestação pública desse Reino, Cristo irá aparecer uma segunda vez, mas em glória. Por este motivo, fala-se do "Reino dos Céus" como próximo, e não como chegado.

O "Reino dos Céus" é objecto de verificação, mas não sucede o mesmo com o "Reino de Deus" (Lc 17:20). O "Reino de Deus" tem mais carácter moral, mais espiritual, e não com visível aparência. Podemos dizer que a expressão "Reino de Deus" encerra também o "Reino dos Céus"; mas não podemos falar do "Reino dos Céus" onde for empregada a expressão "Reino de Deus", porque esta expressão é geralmente empregada em sentido moral e espiritual. Mas, e de um modo geral, poderemos utilizar a expressão "Reino de Deus" quando se tratar do "Reino dos Céus".


12. Qual a diferença entre o Reino do Filho e o Reino do Pai?

"O Filho do Homem enviará os Seus anjos e eles ajuntarão do Seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniquidade... Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de Seu Pai" (Mt 13:41-43). Estes versos colocam ambos os reinos frente a frente: O primeiro encontra-se sobre a Terra e dele serão retirados todos os escândalos e todos os ímpios serão lançados no fogo. O último é o cenário da glória celestial. O reino milenário será formado de um domínio de glória celestial – o reino do Pai – e de um domínio de glória terrestre – o reino do Filho.

O domínio superior, no qual se acha, neste caso, Cristo com os Seus santos, está mais em ligação imediata com o Pai; o domínio inferior, para onde afluirão as bênçãos a Israel restaurado e às nações, está em relação directa com o Filho do Homem.

A nuvem de glória que cobriu Moisés e Elias quando estiveram com Cristo no alto do monte, e da qual ressoou a voz do Pai expressando o Seu comprazer em Seu Filho, poderemos talvez descrevê-la como sendo do reino do Pai (Lc 9:34-35). Os três discípulos, que, embora estivessem também sobre o monte, não estiveram na nuvem, são uma figura do reino do Filho.


13. A Parábola das Dez Virgens tem carácter judeu ou cristão?

O conselho que recebemos nesta parábola possui indubitavelmente carácter Cristão. Os remanescentes de Israel, tementes a Deus, não "sairão" ao encontro do Noivo. "Saí ao Seu encontro" (Mt 25:6). Este convite corresponde à posição de um cristão, e não à de um judeu.

Nós seremos "arrebatados, entre as nuvens, para o encontro do Senhor nos ares"; mas a vinda do Messias à Judeia relaciona-se com os Judeus e a sua bênção futura. As expectativas dos judeus concentram-se nas bênçãos sobre a Terra e na Judeia, sob o domínio da paz do Messias. Por esse motivo, não há, para eles, um "sair", mas antes, um agarrar-se à sua terra, até que o Messias venha.

Além disso, esse estado sonolento, do qual as virgens despertam (v. 5-6), não pode estar relacionado com o futuro Remanescente de Israel. Nessa mais excitante e interessante fase da sua História não os encontraremos adormecidos. Pelo contrário, irão gemer e gritar durante essa cura meia-noite, quando reconhecerem a sua culpa pelo assassinato do Messias e pela quebra da lei, e for confessada por toda a nação (Sl 74 e 79; Is 63:15-19; Ez 9:4).


14. Quais os pontos principais do Sermão Profético?

O capítulo 24:1-44 trata da Vinda do Senhor em relação aos Judeus. Os capítulos 24:45 – 25:30 dizem respeito à vinda do Senhor em relação à Igreja. O capítulo 25:31-46 trata da vinda do Senhor em relação às Nações.

O capítulo 24:15 indica um acontecimento muito importante (após o arrebatamento da Igreja), o qual deveremos ter em conta, uma vez que é essencial para a classificação de determinados períodos. Se compararmos esse versículo com Daniel 12:11 poderemos compreender claramente o seu significado futuro: Ele aponta indubitavelmente para o "tempo de angústia para Jacó". Os versículos 16-18 descrevem a terrível situação da Palestina durante a segunda metade da última semana de anos de Daniel – o período da tribulação.

Nos versículos 29-44 trata-se dos acontecimentos que hão-de suceder após o período da tribulação – a aparição pessoal do Filho do Homem em glória. Além disso há verdades morais que são dirigidas especialmente à consciência dos discípulos. Eles representa aqui os crentes que hão-de padecer sob o domínio da besta e do anticristo.

As três parábolas seguintes; o servo mau, as dez virgens e a administração dos talentos, representam o elo de ligação entre o serviço na Igreja, a qual aguarda a vinda de Cristo, e o serviço no mundo. Deveriam ser ponderadas com toda a calma, cuidadosamente, por todo o crente e por todo o servo de Deus.

O julgamento das nações pelo Filho do Homem é um acontecimento muito sério. Quando lemos atentamente esse trecho, e, ao mesmo tempo, levamos em consideração a sua interdependência, torna-se claro que não será esse o último julgamento, ou seja, o Juízo Final.

15. Quem são os irmãos, ovelhas e cabritos de Mat 25:31-46?

Quando o Senhor Jesus vier como Filho do Homem e tomar o Seu Lugar no Seu Trono de Glória, então Ele reassumirá o Seu relacionamento com os Judeus. Haverá uma noiva judia (Sl 45), do mesmo modo como possui uma noiva "cristã" (Ap 19). Aqueles a quem chama aqui "meus irmãos" são judeus, que depois serão enviados às nações para pregarem o Evangelho do Reino (Mt 24:14). O Rei considerará como tendo sido dirigida a Si pessoalmente a maneira como esses mensageiros, bem como as mensagens, forem recebidos ou recusados. O procedimento dos Gentios face a esses servos e à sua mensagem constituirá a base para o seu julgamento.

Todos os que receberem esse Evangelho e a ele se submeterem são aqui denominados como "ovelhas"; tomarão lugar à direita do Rei e entrarão na vida eterna. Os "cabritos", os que rejeitarem o Evangelho, serão postos à esquerda do Rei e irão para o tormento eterno. A bênção das ovelhas e a sentença dos cabritos são definitivas e irrevogáveis.

Uma comparação entre o Juízo dos Mortos e o Juízo das Nações será de grande ajuda para remover algumas possíveis dificuldades de compreensão deste assunto:

Apocalipse 20Mateus 25
Juízo dos MortosJuízo dos Vivos
Juízo IndividualJuízo dos Povos
Juiz: DeusJuiz: Filho do Homem
Há 1 classe de pessoasHá 3 tipos de indivíduos
Há livros de obrasNão há livros
Há o Livro da VidaNão há o Livro da Vida
Não se fala de "Vinda"Fala-se de uma Vinda
Fala-se de Deus/HomensFala-se de Filho Homem/Anjos
Céus e Terra fogemCéus e Terra permanecem
O Grande Trono BrancoO Trono da Glória

16. Qual a diferença entre Últimos Tempos e Últimos Dias?

Ver 1 Tm 4:1 e 2 Tm 3:1. Se alguém me pedisse para descrever o papado, ler-lhe-ia os versículos 1 a 3 de 1 Tm 4. Nesses versículos está esboçado um quadro característico da igreja romana. E frente a essa injustiça religiosa, o apóstolo dá-nos uma esplêndida descrição do verdadeiro Cristianismo (3:16). Por este motivo suponho que "os últimos tempos" apontam especialmente para a tenebrosa Idade Média. (a)

Naturalmente os princípios e efeitos desses "tempos" já eram visíveis naquela época aos olhos atentos dos apóstolos. Mas "que... alguns apostatarão da fé" nada tem a ver com a apostasia geral que encontramos descrita em 2 Ts 2:3. Os "últimos dias" (2 Tm 3:1-5) referem-se aos últimos dias do Cristianismo, que já começaram. Toda a segunda epístola a Timóteo descreve mais ou menos esse último período da História da Cristandade. Se os últimos tempos esboçam uma figura de "apostasia papal" do mesmo, do mesmo modo os "últimos dias" revelam renascimento do ateísmo pagão (compare-se também com a parte final de Romanos 1).

(a) – O Redactor não concorda inteiramente com esta concepção. No seu entender, estes últimos tempos dizem respeito ao estado degradado da sociedade e em especial da Cristandade – que inclui naturalmente a Idade Média – mas não apenas.

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