Assembleias de «Irmãos» em Portugal

Estudos Bíblicos

CAPÍTULO VI – O MILÉNIO

64. O que dizem as Escrituras acerca do lado terreno do Reino Milenário?

Qual o coração que não bate mais fortemente ao comentar-se esse maravilhoso tempo para a Criação, à luz das Escrituras, pelo qual o homem anseia há muitos milhares de anos? Precisamos, no entanto, de manter os nossos pensamentos e sentimentos sempre sob o controlo da sóbria declaração das Escrituras. Todo o exagero poético, toda a descrição fantástica deverão ser evitados nas nossas meditações acerca da Palavra de Deus, especialmente se, como aqui, se relacionar directamente com a glória de Cristo, como é o caso no Reino Milenário. Melhor será comentar algumas poucas ideias que Deus nos transmite do que uma porção de quadros cheios de fantasias provenientes da capacidade de imaginação humana. As palavras de Deus são palavras puras; alcançam segredos da consciência e levam cativo o nosso coração, dirigindo-nos a Cristo. Trazem o timbre moral da autoridade de Deus.

A Igreja, como candeia da glória que brilhará sobre o grandemente favorecido Israel (Is4:5-6), e a feliz e redimida Criação, que andará sob a luz das nações, serão a sede da administração celestial do reino, do Reino do Pai. Em contrapartida, Jerusalém será na Terra a coroa da felicidade entre as nações, o ponto central e sede do domínio terrestre – do Reino do Filho. O domínio, tanto de Israel (Sl 72) como do resto do mundo (Sl 98:9), será marcado de sabedoria, justiça e beneficência – uma bênção incalculável que a Terra jamais experimentou.

Após o arrebatamento da Igreja, Satanás e seus anjos serão expulsos dos céus (Ap 12:7-12). A seguir ocorre a sua expulsão por 1000 anos da face da terra, e será preso no abismo (Ap 20:1-3). Como é bom de ver que nesses dias gloriosos a triste consequência da maldição foi posta de lado e que Satanás, o tentador e acusador dos irmãos, está preso – e por um período de mil anos não poderá macular o maravilhoso mundo e nem prejudicar os corpos e as almas dos homens.

Sobre a extensão desse reino messiânico, lemos: "Dominará de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da terra" (Sl 72:8). A sua duração é-nos descrita no Sl 145:13: "O Teu reino é um reino eterno; o Teu domínio estende-se a todas as gerações". O Salmista louva a sua glória, dizendo: "Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o Teu Nome em toda a terra, pois puseste a Tua glória sobre os Céus!"


65. O que dizem as Escrituras acerca de Todo o Israel?

A casa de Israel – Judá e Efraim – há muito separadas, retornarão ao seu país. Serão reunidas novamente e todos se converterão. Serão novamente um povo numeroso no seu próprio país, e serão a cabeça das nações – e não a "cauda" como sucede actualmente (Ez 37; Rm 11:26; Jr 31:31-34; Dt 28:13).


66. O que dizem as Escrituras sobre Jerusalém?

Jerusalém será reconstruída de tal modo que será digna de ser chamada a "Cidade do Grande Rei". Calcula-se que terá, segundo Ez 45:6, uma área de aproximadamente 200 Km², e um torno de 56 Km.

No Reino Milenário será a capital da Terra. Nela se reunirão todas as nações (Jr 3:17). A sua luz atrairá as nações e o seu resplendor os reis. As riquezas e todos os tesouros deste mundo serão depositados abundantemente em seus pés (Is 60). A Humanidade subirá anualmente para adorar (Zc 14:16-17). As nações irão a Jerusalém para serem ensinadas, pois a Lei e a Palavra do Senhor procederão de Jerusalém (Mq 4:2). O símbolo dominante da população civil e da vida espiritual será "Santidade ao Senhor" (Zc 4:20-21). O seu nome é a completa expressão das suas ricas bênçãos: "O Senhor está ali!" (Iavéh-Shamah) [Ez 48:35].


67. O que dizem as Escrituras sobre o Templo?

O templo, de que se fala em Dn 9:27 e 12:11, e em Ap 11:1-2 será provavelmente saqueado e destruído pelos Assírios, ou seja, pelo rei do norte. É certo, porém, que será erigido um novo templo de grande proporções, com inúmeras portas, átrios e câmaras, de acordo com as minuciosas medidas que foram indicadas a Ezequiel (Ez 40-45). Em Ez 1-11 podemos acompanhar muito bem como a glória de Deus, devagar e vacilante, vai deixando o trono e a cidade, porque a apostasia de Judá tornou impossível a Deus sancionar de forma prática as injustiças na Sua casa, mediante a Sua presença. Isto ocorreu no tempo em que os Caldeus sitiaram Jerusalém.

A glória do Deus de Israel tornará a entrar no templo, a saber, pela porta oriental (Ez 43:1-6; 44:4). Essa porta permanecerá fechada durante os seis dias de trabalho da semana e será aberta apenas nos sábados e nas luas novas. Será para uso exclusivo do "Príncipe" (cap. 44:1-3 e 46:1-2). Esse templo, cheio da "Glória de Deus", será então chamado "Casa de Oração para todos os Povos" (Is 56:7).


68. O que dizem as Escrituras sobre sacrifícios e Festas?

Determinados sacrifícios e festas (o Pentecostes cumpriu-se na Igreja; portanto, não será mais festejado) serão introduzidos novamente (Ez 44-46). Os antigos mandamentos e preceitos de Deus tinham em vista o futuro; no Reino Milenário serão celebrados apenas em memória, como os Cristãos celebram hoje a Ceia do Senhor.


69. O que dizem as Escrituras sobre o Sacerdócio?

O sacerdócio aarónico será restabelecido. Os Levitas da família sacerdotal de Zadoque não serão extintos (1 Re 1 e 2). Serão sacerdotes de Deus, servi-lo-ão e oferecerão louvores, e nesses dias felizes, que hão-de vir, instruirão e julgarão o povo de Israel. (Ez 44:15-31).


70. O que dizem as Escrituras sobre o "Príncipe"?

Descenderá directamente da linhagem da casa de Davi e retomará o trono de Judá há tanto tempo abandonado (Zc 12:6-8). O Príncipe, de que nos fala Ez 44 a 48, não é o Messias, pois tem de apresentar sacrifício pelos seus pecados (Ez 45:22). Cristo assentar-se-á, segundo Zc 6:13, como Príncipe no Seu trono, mas terá um "governador" em Jerusalém, o qual terá reunido em si mesmo honras reais e sacerdócio.


71. O que dizem as Escrituras sobre a divisão das 12 Tribos no País?

As tribos habitarão em faixas paralelas, do oriente até ao ocidente (do Eufrates ao mar Mediterrâneo), a começar do extremo norte do país. Dã, que não é mencionado entre os selados em Ap 7, é citado em primeiro lugar na enumeração das tribos em Ez 48.


72. O que dizem as Escrituras sobre a Judeia?

A parte montanhosa do país, de Geba (ao norte) até Rimon (ao sul), tornar-se-á em planície, e Jerusalém será exaltada e reconstruída, e os seus moradores habitarão em segurança. Estas e outras alterações estruturais são-nos descritas em Zc 14.


73. O que dizem as Escrituras sobre a expansão do país?

A expansão no sentido ocidental-oriental irá desde as fontes do Nilo, passando pela parte superior do Egipto, até ao Golfo Pérsico (Gn 15:18). Portanto, o país expandir-se-á consideravelmente.


74. O que dizem as Escrituras sobre o Mar Vermelho e o Eufrates?

O "braço de mar do Egipto" (Is 11:15), ou seja, o Mar Vermelho, será totalmente destruído. Isto também inclui, necessariamente, o Canal de Suez, que constitui a ligação entre o Mar Vermelho e o Mar Mediterrâneo. O Eufrates, Deus o ferirá, dividindo-o em sete canais com a força do Seu Vento, de modo que se poderá atravessa-lo e sandálias. Essas alterações permitirão ao homem atravessar o país a pés secos (Is 11:15).


75. O que dizem as Escrituras sobre o Egipto e a Assíria?

O Egipto e a Assíria (actual Síria) tiveram uma importância considerável no seu tempo. De um, Israel foi libertado (Ex 12:14); para outro, foram levados cativos como punição (2 Re 17). Ambas as potências tinham entre si intenções hostis; ambas tinham apenas um objectivo: alcançar o domínio mundial e destruir os rivais. A Palestina, que se encontrava entre ambos os estados, estava exposta às suas investidas.

A amarga inimizade existente há muito tempo entre eles não foi extinta, pelo contrário, romperá novamente numa dimensão até agora desconhecida. Dn 11 descreve-nos esta crise, que se aproximará rapidamente, na qual a Judeia será envolvida.

O Egipto, o antigo opressor do povo de Deus, será, por sua vez, fortemente oprimido. O Senhor golpeará a nação e aniquilará a sua soberba sabedoria. Então o Egipto se voltará para o Senhor e o Senhor ouvirá o seu clamor: Dar-lhes-á a libertação e restabelecerá a nação. Será erigido um altar no seu meio e o povo será salvo. E a inimizade entre o Egipto e a Assíria terminará para sempre. "Naquele dia haverá estrada do Egipto até à Assíria" (Is 19:23).

Os povos habitarão em paz, como irmãos, um ao lado do outro. Das três potências, no Reino Milenário, lemos: "Bendito seja o Egipto, meu povo, e a Assíria, obra de minhas mãos, e Israel, minha herança" (Is 19).


76. O que dizem as Escrituras sobre a conversão do mundo?

A maior parte das nações, que foram guardadas do Juízo que o Senhor exerceu no início do Reino Milenário, converter-se-á, pois o Espírito será derramado (Jl 2:28; Is 66:19-23). A maior parte dos povos, que se encontrarem sobre a Terra, aceitará ao Senhor (Is 11:9; Sl 98:2-3; Sf 3:9) e reconhecer-se-á obediente ao Seu reinado. No entanto, alguns fingirão submeter-se (Sl 66:3).


77. O que dizem as Escrituras sobre a riqueza e fertilidade da terra?

A estreita ligação entre o Céu e a Terra (Os 2:21-23), e o facto de a maldição ser retirada do solo (Gn 3:17-19; 4:12), darão à terra uma fertilidade tal que fará desaparecer toda a pobreza e toda a necessidade. Iniciar-se-á uma nova e abençoada era para a Terra. Ela produzirá de tudo com grande abundância e o homem quase não terá de se cansar (Is 65:23), de modo que o trabalho será para ele um prazer! "Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que o que lavra alcançará ao que sega, e o que pisa as uvas ao que lança a semente; e os montes destilarão mosto, e todos os outeiros se derreterão" (Am 9:13). Nos Salmos e nos Profetas encontramos inúmeras descrições magníficas, que nos falam dessa maravilhosa fertilidade com que a Terra será abençoada.


78. O que dizem as Escrituras sobre o Prolongamento da Vida?

A duração da vida será maravilhosamente prolongada nesses dias. Todos os convertidos sobre a Terra viverão durante todo o tempo desse governo – mil anos. A morte será rara, até entre os incrédulos.

Um homem centenário não será considerado idoso; ao contrário, nessa idade será ainda visto como uma criança. A morte ocorrerá somente como punição e juízo para determinados pecados (Is 65).


79. O que dizem as Escrituras sobre a Guerra?

A guerra, que tanto devastou a Terra, terá passado para sempre. A questão "oriente médio" ocupou e confundiu os mais sábios e perspicazes políticos da Europa e da Ásia, mas encontramos a solução final desse difícil problema de Zc 14.

Ainda um pouco de tempo, e as malignas paixões dos homens desdobrar-se-ão desenfreadamente. Sob a direcção de Satanás, inundarão de sangue os países do Oriente. Todos os poderes da Europa serão incluídos nessa batalha. Então o próprio Cristo preparará um juízo inimaginável para essa terrível batalha (conhecida por Amargedom [Nota do Redactor]).

Os sobreviventes voltar-se-ão para o Senhor sob a impressão do terror desse Juízo nos seus corações. "Estes converterão as suas espadas em enxadões, e as suas lanças em foices: não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerrear" (Is 2:4; Os 2:18).


80. O que dizem as Escrituras sobre as viúvas e órfãos?

As viúvas, os órfãos, os pobres, os estrangeiros e oprimidos, os encarcerados, os famintos, os cegos, os necessitados e desanimados, todos eles encontrarão protecção e refúgio no Senhor Jesus, o Rei de Israel (Sl 72:12-14). O coração do Sacerdote e o braço do Rei elevará o abatido e proporcionará direito ao defraudado (Zc 6:13).


81. O que dizem as Escrituras sobre o Justo Governo durante o Milénio?

Todos os reis, príncipes, juízes e governantes exercerão a sua autoridade por meio de Cristo e pronunciarão sentenças justas, e "o efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça repouso e segurança para sempre" (Is 32:15-20). A justiça "reinará", punirá o mal e recompensará o bem. Será perfeição absoluta numa condição eterna. Ali não mais existirá o mal, por isso "habitará" também ali a justiça. Até agora o mundo não sentiu o sabor de um governo justo e beneficente; senti-lo-á então (Pv 8:15; Sl 72; Is 32:1).


82. O que dizem as Escrituras sobre o "Rio de Deus"?

Jerusalém será para a Terra, no Reino Milenário, a fonte das bênçãos. Águas vivas – o Salmista descreve-as como o "rio de Deus", ou "os ribeiros de Deus", noutras versões (Sl 65) – fluirão para o exterior, por debaixo do templo. Após se repartirem, metade correrá para o Mar Mediterrâneo e a outra metade para o Mar Morto. Pode onde correr essa água haverá fertilidade e vida com abundância. Deste modo, toda a Terra alcançará, por meio do "rio de Deus", o gozo das Suas bênçãos (Sl 65:9-10).

No que se refere ao Mar Morto, as suas águas ficarão saudáveis e ali abundará toda a espécie de peixes. Muitos pescadores encontrarão ocupação nas suas margens. Mas os seus charcos e os seus lamaceiros ou pântanos não sararão; serão deixados para sal – e para séria e perpétua memória dos juízos de Deus. Darão frutos com abundância e as suas folhas servirão de remédio (Ez 47:11; Zc 14:8).


83. O que dizem as Escrituras sobre os animais?

O mundo animal tomará parte nessas bênçãos. Os seus instintos, selvagens e ferozes, serão mudados: "Morará o lobo com o cordeiro", em lugar de o devorar, como faz agora, "e o leão comerá palha como o boi" (Is 11). A harmonia existente entre os animais, enquanto se encontravam na arca (Gn 6:19-21), é, certamente, uma referência, tendo em vista esse tempo do Reino Milenário.

Uma séria excepção a essa bênção geral será a serpente, o animal por meio do qual Satanás veio ao encontro do homem e o conduziu à ruína: "Pó será a comida da serpente" (Gn 3:14; Is 11:6-9 e 65:25). Durante todo o tempo do Reino Milenário haverá um testemunho do Juízo de Deus sobre os homens (Is 66:24), sobre os animais (Is 66:25) e sobre o solo (Ez 47:11).


84. O que dizem as Escrituras sobre a Idolatria?

O culto aos ídolos – obra prima de Satanás – desaparecerá completamente (Is 2:18). "Naquele dia um só será o Senhor, e um só será o Seu Nome" (Zc 14:9). Uma linguagem mais bonita do que aquela que foi empregada pelo último profeta do Antigo Testamento não se pode encontrar nas Escrituras: "Mas desde o nascente do Sol até ao poente, será grande entre as nações o Meu Nome; e em todo o lugar se oferecerá ao meu Nome incenso e uma oblação pura, porque o Meu Nome será grande entre as nações, diz o Senhor dos Exércitos" (Ml 1:11).

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