Assembleias de «Irmãos» em Portugal

Estudos Bíblicos

CAPÍTULO I – PERGUNTAS DE CARÁCTER GERAL

1. Qual a esperança dos crentes?

A nossa esperança, como crentes, assenta na certeza de que o Senhor voltará pessoalmente, como prometeu, a fim de nos tomar para Si mesmo, e em que, a seguir, reinará com poder e glória. Ele disse: "Virei outra vez e vos levarei para Mim Mesmo" (Jo 14:3). Sim, que Ele mesmo vai voltar é a "nossa bendita esperança". As nossas mais ricas bênçãos consistem em O vermos na Casa do Pai e em sermos semelhantes a Ele (1 Jo 3:2; Fl 3:21).


2. Qual a esperança da Igreja?

A esperança da Igreja está no regresso pessoal do Senhor, a fim de concretizar o direito que Ele tem sobre "os Seus". Ele virá do Céu "nos ares" e com "uma palavra de ordem", a "voz" e a "trombeta", reunirá o Seu povo, de cada nação, de cada tribo, dos túmulos e dos mares. Ninguém que tenha sido remido pelo precioso sangue de Cristo, ficará para trás, quer ainda esteja vivo sobre a Terra, quer tenha já dormido no Senhor. Todos seremos "arrebatados... entre as nuvens, a encontrar o Senhor nos ares". Ali encontraremos o nosso bendito Salvador e Senhor, digno de ser adorado. Então Cristo apresentará a Si Mesmo a Igreja gloriosa e sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, "santa e sem defeito" (Ef 5:25-27; Cl 3:4).

Qual é a esperança da Noiva? Nenhuma, além da vinda do noivo (Ap 22:17). Agora, já unida a Cristo, em que consiste a sua esperança? Em nada, além de que o seu relacionamento com Ele, como esposa, se tornou uma realidade (2 Co 11:2; Ap 19:7).

Que esperança! Cristo virá pessoalmente para tomar para Si a Sua Igreja e apresenta-la, nas eras futuras, como Sua co-herdeira sobre toda a Criação (Ef 1:10-11). Ele suscitará nela eternos sentimentos de afecto, e o Seu relacionamento com ela durará eternamente (Ap 21:2).


3. Qual a esperança do servo?

A esperança do servo vêmo-la no fruto do seu trabalho diante do Senhor Jesus Cristo, na Sua segunda Vinda (1 Ts 2:19). "Filhinhos, agora, pois, permanecei nEle, para que, quando Ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não nos afastemos envergonhados na Sua vinda" (1 Jo 2:28).

A coroa da glória, quando se manifestar o Supremo Pastor, será colocada sobre a cabeça dos cordeiros fieis, que agora apascentam o rebanho de Deus (1 Pe 5:1-4). A coroa da justiça será concedida, como recompensa, a todos os que "amam a Sua vinda" (2 Tm 4:7-8). Encontramos nas Escrituras quatro coroas, que nos são prometidas como recompensa e encorajamento: A coroa de ouro (Ap 4:4); a coroa da vida (Ap 2:10); a coroa da justiça (2 Tm 4:7-8) e a coroa da glória (1 Pe 5:4).

Que possamos, como mensageiros da graça e da glória do Senhor Jesus ressuscitado, estar preparados para quando Ele vier e nos bater à porta, logo Lha abrirmos (Lc 12:36).


4. Qual a esperança de Israel?

Jesus, o Redentor, é a única esperança de Israel, como diz o profeta: "Ó esperança de Israel, e Redentor seu no tempo da angústia" (Jr 14:8-9). "Todo o Israel será salvo" (Rm 11), mas como e quando?

Enquanto Israel não reconhecer as suas faltas, não haverá redenção para eles como povo (Os 5:15). Somente O verão quando se dirigirem ao seu Messias, que há tanto tempo e maldosamente condenaram, e disserem: "Bendito O que vem (não o que veio) em nome do Senhor" (Mt 23:39). Nós, pela graça, podemos crer nAquele que ainda não vimos (1 Pe 1:8); mas Israel, tal como Tomé, crerá somente depois de O ver (Jo 20:29).

A bênção de Israel – que se tornará realidade por meio disto: Olharão para mim, a quem trespassaram – é ainda futura. Zacarias 12 mostra isto claramente. Jerusalém será sitiada, não como outrora, pelos Romanos, mas nos tempos do fim, pelas potências do nordeste. Esta cidade será, pois, sitiada uma segunda vez, e este é o momento mais significativo, em que o Senhor aparecerá vindo do Céu com os seus santos (Zc 14:5).

Ele porá os Seus pés sobre o Monte das Oliveiras, libertará o seu povo e destruirá os seus inimigos. Então Israel clamará na presença do seu Messias, como fizeram os filhos de Jacó diante de José. José é uma figura do Messias. Será tempo acerca do qual nos falam os Actos dos Apóstolos, em que o reino de Israel será restaurado (At 1:6-7). A gloriosa profecia de profetas e salmistas terá então o seu cumprimento literal. O Salmo 72 é uma surpreendente descrição desse reino milenário.

A esperança de Israel, tanto no que concerne à conversão do povo, como também à glória do reino milenário é a aparição pessoal do seu Messias. "Virá o Redentor a Sião e aos de Jacó que se converterem, diz o Senhor". A este versículo segue-se a descrição da excelsa glória de Sião (Is 60). Os profetas evidenciaram o que irá realmente acontecer no futuro. Mas, infelizmente, há cristãos que negam ou menosprezam essas numerosas profecias do Antigo Testamento, que discorrem sobre um futuro glorioso para Israel.


5. Qual o futuro das nações (gentios)?

As nações, como um todo, não serão convertidas pelo trabalho de organizações cristãs, nem mesmo pelo bem intencionado trabalho missionário. Mas também não é esse o objectivo do Senhor. Ele quer muito mais que "constituir um povo para o Seu Nome" (At 15:14).

Em primeiro lugar, O Senhor reunirá as nações e ajuntará os reinos, para derramar sobre eles a Sua maldição, todo o furor da Sua ira, "pois toda a esta terra será devorada pelo fogo do meu zelo" (Sf 3:8). Através dos tempos, a Igreja tem-se reunido pela graça, mas as nações serão ajuntadas para serem julgadas. Vejamos a Cristandade, que tão poderosa influência teve na Europa: estaria ela preparada para receber o Rei dos Reis e Senhor dos senhores? Não! "E vi a besta, e os reis da Terra, com os seus exércitos congregados para pelejarem contra Aquele que estava montado no cavalo, e contra o seu exército" (Ap 19:19). (A besta é o ressurgimento do Império Romano; o "Seu exército", isto é, o exército do Rei dos reis são os Seus santos).

E qual será o resultado? Um anjo põe-se de pé e convida todas as aves dos céus para a ceia do Senhor. Um Cristão, com a Sagrada Escritura na mão e o capítulo 19 do Apocalipse diante dos seus olhos, deveria ainda sonhar com um tempo de grande despertamento pela pregação da graça? Não, não!... Uma palavra de Isaías 26:9 desfaz essa grande ilusão. "Porque, quando os Teus juízos reinam na terra, os moradores do mundo aprendem justiça". Nós não vemos o mundo convertido, pouco antes do regresso do Senhor, mas sim de uma Igreja adormecida. O grito à meia-noite não tem por objectivo evangelizar o mundo, mas sim despertar a Igreja (Mt 25:6-7). São convertidas as virgens néscias, isto é, aquelas que confessam que não estão de posse da verdadeira vida e do Espírito Santo? Não! Vindo o Noivo, os crentes verdadeiros entrarão com Ele para as bodas, enquanto que as virgens néscias ficarão do lado de fora.

O despertamento da Igreja – e não a conversão de todo o mundo – será o grande acontecimento que precederá a Vinda do Senhor. Isto quer dizer que não haverá reino milenário antes de ter lugar a segunda vinda de nosso Senhor Jesus Cristo – e o mundo não se converterá, iniciando sim, uma guerra contra Ele. Então uma parte do mundo congregar-se-á contra Jerusalém (Zc 14) e a outra parte contra o próprio Cordeiro (Ap 19). Aliás, não fez o Senhor referência a essa incredulidade, que reinaria sobre a Terra, por ocasião da Sua Volta, quando diz: "Contudo, quando vier o Filho do Homem achará porventura fé na Terra?" (Lc 18:8). Um juízo de proporções apavorantes cairá sobre as nações, especialmente sobre os países ditos cristãos, que tanto têm espezinhado a graça e os seus privilégios. A segunda vinda de Cristo será acompanhada de duro juízo – e somente então romperá esse novo dia, há muito predito pelos profetas, pelos apóstolos e também pelo próprio Senhor.

O arrependimento das nações que foram poupadas pelo Senhor; a sua missão como proclamadoras da Sua glória entre nações distantes (Is 66:19); o seu trabalho abençoado, no qual ajuntarão, de entre as nações, o restante dos Judeus e "trarão por oferta ao Senhor" (v. 20); a graça, determinando-os para sacerdotes e levitas (v. 21) – estas e outras bênçãos mostram bem que os Gentios, no reino milenário, desfrutarão de um abençoado futuro.

Cristo reinará como "Rei sobre toda a Terra" e estenderá as bênçãos do Seu glorioso domínio até às ilhas mais distantes (Is 51:5) e até aos habitantes dos desertos árabes (Sl 72:9). Por este motivo as nações esperarão n'Ele (Rm 15:12). "E também diz: Alegrai-vos, ó gentios, com o seu povo" (Rm 15:10-11). Israel assumirá então o ponto central desse glorioso dia vindouro (Dt 28:12-13). As nações estarão subordinadas a Israel (Is 60; Sl 100; Ml 1:11). O Senhor derramará o Seu Espírito sobre toda a carne (Jl 2:28), e os povos vivos de então reconhecerão o Senhor, assim que o julgamento começar e a incredulidade for banida da Terra.

Mas Cristo deve voltar primeiro. Ele quebrará os desígnios das nações com o ceptro de ferro, e então, de entre elas, os poupados e convertidos serão chamados ao pleno gozo do Seu governo glorioso. Isto parece ser o essencial daquilo que a abençoada Palavra de Deus diz sobre o futuro das nações.


6. Qual a esperança da Criação?

O pecado de Adão arruinou a Criação, sujeitando-a à vaidade, e agora encontra-se sobre o "cativeiro da corrupção". A partir dali, toda a Criação geme e "está juntamente com dores de parto até agora". Qual é então a esperança da Criação? Quando será ela libertada das cadeias que há milénios a tem cativa? Quando chegará ela à "gloriosa liberdade", melhor direi, à "liberdade da glória dos filhos de Deus". A nossa glória futura, quando se revelar, libertará a Criação que geme e sofre – e a Criação anseia por essa revelação: "A ardente expectativa da Criação aguarda a revelação dos filhos de Deus" (Rm 8:19-22). Essa revelação ocorrerá na manifestação de Cristo em glória (Cl 3:4). O Salmo 65 e Oséias 2:18-22 profetizam para esta Terra um futuro glorioso.


7. Tem a morte alguma influência sobre a nossa esperança?

A morte não pode tocar na nossa "abençoada esperança". Uns esperam com o Senhor pela Sua Manifestação, outros esperam por Ele sobre a Terra. Mas, quer estejam vivos ou dormindo, esperam pela Vinda do Senhor. A morte pode alterar o local, mas não o facto em si. Os que dormem acompanharão o Senhor, juntamente com os vivos, quando Ele estabelecer o Seu Reino em glória (1 Ts 4:14). O Senhor também está aguardando (Hb 10:13); e se eu sou chamado para desfrutar da Sua Presença, então esperarei com Ele, pois somos chamados a partilhar do Seu Reino e da Sua perseverança (Ap 1:9).

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