Assembleias de «Irmãos» em Portugal

História do Movimento de «Irmãos»

3.7. Primórdios da «Comunhão de Igrejas»

PRIMEIROS PASSOS DA COMUNHÃO DE IGREJAS – 1970

COMUNICADO E PEDIDO DE ORAÇÃO ÀS NOSSAS IGREJAS

«Os irmãos abaixo assinados, em comunhão com muitos outros irmãos e Igrejas no país, todos bem conhecidos e credores da confiança dos irmãos e das Igrejas, vêm informar e pedir as oraçôes dos irmãos e das Igrejas, para um movimento de aproximação e de comunhão entre as nossas Igrejas neste país.

Todos reconhecem que durante os 80 anos passados no trabalho das nossas Igrejas tem sido feita uma obra admirável de fundação de Igrejas, com um carácter de missão, pioneira. Que existe entre todos uma boa comunhão espiritual, unidade de propósito e harmonia. Mas reconhecem igualmente que não há entre as nossas Igrejas, ao nível nacional, cooperação prática em esforços e alvos comuns. As áreas de Igrejas, vivendo, sobretudo ao redor dos seus Obreiros, estão quase isoladas, não há, em muitos casos, nenhuma cooperação prática, salvo umas escassas trocas de púlpitos. Estas observações, que são factos, só visam mostrar que há necessidade de dar passos concretos.

Ora, à luz da Palavra, a cooperação não se pode entender como simples encontros fraternais, troca de púlpitos. Haja em vista as grandes ofertas que Paulo e outros levantaram para os cristãos em crise na Palestina, nas Igrejas da Macedónia, Acaia e Ásia. Cooperação é justamente isto: darmos todos as mãos em esforços comuns, grandes, que sozinhos não podemos realizar! Cooperação é a palavra chave em todas as áreas da vida. Em muitos países as Igrejas estão convencidas de que só há dois caminhos: cooperar ou morrer. E em Portugal muitos irmãos estão convictos de que, se não queremos ver o futuro das nossas Igrejas altamente comprometido, temos de cooperar agora.

A cooperação prática traz grandes benefícios. O isolamento cria situações difíceis. O saneamento das relações, o impedimento de extremismo o alargamento da visão, e sobretudo a realização de obras de envergadura que uma Igreja ou uma área sozinha não pode fazer. O Obreiro Sr. José L. Carreiro, dos Açores, foi um dos primeiros a compartilhar connosco esta visão. Diz ele já em Setembro de 1966:

"... Não acha que existe em Portugal a necessidade de uma junta, Conselho de Igrejas, um organismo de carácter permanente, que possa agir a lavor de todas elas? Há necessidade de muitos Obreiros e Missionários; adaptar ou construir Casas de Oração, um Instituto para preparar obreiros; e publicações... O número de emigrantes é de cada vez mais... se houvesse Obreiros, muito se podia fazer".

É justamente isto que se precisa, que as Igrejas dêem as suas mãos numa cooperação prática em esforços de envergadura. Precisamos de Obreiros para áreas que carecem de mais assistência, e para evangelizarem em zonas novas. As Igrejas limitam-se à faixa costeira entre Porto e Almada. As Igrejas, de mente missionária, precisam de ser encorajadas a evangelizarem esse imenso país. Precisamos de uma Escola Bíblica permanente onde se treinem Obreiros já chamados, e provados nas suas Igrejas, pois hoje em dia é indispensável um treino especializado. Precisamos de ajudar-nos na construção de Casas, e, se uma Igreja não pode, uma porção delas a ajudar simultaneamente, pode fazê-lo. Precisamos de um Fundo Missionário, devidamente identificado com todas as Igrejas, que as informe, as estimule, a interessarem-se vivamente pelo avanço missionário. E tantos outros esforços precisos que, de mãos dadas, podemos fazer.

Esta Comunhão de Igrejas não seria uma organização rígida, um órgão de mando, ou um governo central das Igrejas, de forma alguma. Seria antes uma comunhão que incorporaria as Igrejas que o quisessem para cooperação. Cada Igreja representar-se-ia por dois Delegados nas suas assembleias, daria o seu apoio e cooperação financeira, e estes representariam a vontade, a opinião, a decisão da Igreja sobre qualquer assunto. Não sendo uma organização precisaria de um mínimo de organização. Assim, as próprias Igrejas nomeariam as pessoas que fariam parte da direcção. Naturalmente pessoas idóneas, capazes de executarem devidamente certas tarefas. Os pormenores da constituição seriam devidamente estudados em grupo.

Para que a cooperação funcione devem verificar-se certas condições Numa cooperação não se pode procurar os interesses próprios. E preciso renunciar a certas coisas, a favor do interesse comum da Comunhão. Além disso a cooperação deve ser leal e pontual. Quando as Igrejas integrantes tomam decisões e compromissos devem cumpri-los pontualmente. Desse modo estamos certos pode-se fazer muita coisa nunca sonhada. Outra condição é que as Igrejas cooperantes devem ser perfeitamente esclarecidas do que se trata e a sua adesão deve ser consciente. Devem saber porquê e para quê estão na Comunhão.

Esta visão e paixão não é de dois dias. É de muitos anos e de muitas pessoas. Os que nos lêem podem estar certos de que tudo quanto se fizer nesta Comunhão deve ser com toda a dignidade e confiança. Nada de precipitações. Os primeiros passos preparatórios que estamos a dar são visitas de informação e sondagem, junto de todos os Obreiros no país. já o fizemos em julho e Agosto na área de Coimbra, de Sangalhos, de Aveiro, e entre Ovar e Porto. Tendo exposto os princípios gerais desta Comunhão, e sem querer comprometer ninguém, devemos afirmar que a recepção foi muito boa. Nota-se mesmo que, em certos lugares, há irmãos que estão ansiosos por verem cooperação a sério, prática, entre as nossas Igrejas.

Como não é possível visitar cada Ancião e Responsável por Igrejas locais, individualmente, os próximos passos serão reuniões conjuntas destes irmãos nas várias áreas do Norte, Centro e Sul, as quais serão convocadas, depois de feitas as devidas consultas aos Obreiros principais, por escrito, oportunamente, junto das Igrejas. Estão previstas visitas aos Obreiros das áreas de Almada, Lisboa e Caídas para o fim de Setembro.

De acordo com as ideias colhidas, os passos seguintes, serão reuniões regionais ou nacionais para formação da Comunhão. É natural que nem todas as Igrejas queiram participar, mas, estamos certos, muitas estão de coração. Agradecemos, pois, as orações dos Irmãos e das Igrejas, e nos confessamos vossos em Cristo,

Ass: Jaime da Costa Rodrigues, José Augusto Pontes e Adolfo Oliveira».

"In Vida Abundante" 116, Setembro-Outubro de 1970


SOBRE A COMUNHÃO DE IGREJAS

A Comunhão de Igrejas (C. I.) é um projecto de muitos Irmãos, Igrejas e Obreiros no país para se criar um clima de cooperação entre todas as nossas Igrejas, e promover a formação de uma Comunhão de Igrejas, destinada a ajudar estas a fazerem abras cooperativas de envergadura, urgentes, que sozinhas não podem fazer. E, graças a Deus, esse projecto é, já, uma realidade e está em franco avanço.

Da Comissão Provisória, de Lisboa, pela pena do Ir. Jaime Rodrigues, transcrevemos noticias de interesse:

Outros assuntos já tratados após o nosso encontro. No Domingo a seguir à nossa estadia nas Caldas, estive em Coimbra na Igreja da Rua da Sota, onde tive oportunidade de pregar no culto das 15 h. coincidia com a chegada do irmão Sr. Smith e então ele já ouviu alguma coisa dos planos das Igrejas.

Pude observar o anseio daqueles irmãos (anciãos) pela concretização da Comunhão de Igrejas.

Passados alguns dias fui com o irmão Roland a casa do irmão Riço de Carvalho, expor os pontos da Comunhão e ele pediu-nos para um dia a combinar irmos expor estes assuntos aos ancião e diáconos e mais tarde a toda a Igreja do Beato.

Mais alguns dias passaram e então pude conversar com o irmão Francisco Pereira, ancião da Igreja do Castelo e ele ficou encantado, prometendo fazer uma comunicação oficial a toda a Igreja.

No passado dia 31/10, tivemos a primeira reunião de obreiros em conjunto. Esta foi em Santa Catarina às 10 horas. Presentes 24 obreiros. Bastante se aproveitou, estando a segunda marcada para o dia 28/11, ás 21 horas, no Castelo, Almada. No dia marcado fui ao Carrascal, e foi uma benção poder ali dizer alguma coisa, sobre o dever da contribuição.

No Porto realizaram-se já 3 reuniões com a quase totalidade dos Obreiros de Porto e Gaia, em que se estudaram os alvos práticos, a organização o e funcionamento da Comunhão. Quase todos os presentes tiveram ocasião de pôr as suas impressões problemas e objecções, e as conclusões foram bastante encorajadoras. Todos, quase reconhecem a precisão urgente de cooperação prática. As dificuldades maiores provém de elementos, um tanto mais alheios às realidades portuguesas, e um tanto alheios à organização. Esta marcada nova reunião no Porto para 16 de Janeiro, na Igreja de Belmonte.

A Comissão Provisória Nacional, com 3 elementos, reuniu em Lisboa em 8/12 a e estudou uma agenda de 10 pontos, dos quais destacamos, como promoções Imediatas, os seguintes:

  • 1 – A formação no Porto, Aveiro, Coimbra, Calas e Lisboa, de comissões locais provisórias de promoção da Comunhão, entre as Igrejas;
  • 2 – A informação profunda a cada crente no país, da Comunhão, por meio de circulares;
  • 3 – O lançamento de uma Campanha de Mordomia, entre todas as Igrejas que a desejarem, em 1971, com materiais escritos próprios;
  • 4 – O alargamento do Fundo de Retiros para Fundo Provisório de Promoção da Comunhão de Igrejas.

Sobre este último aspecto convém salientar que é preciso reunir urgentemente alguns fundos para pagar despesas de promoção, tais como a circular a enviar a cada crente no pais, alguns milhares, portanto, e outros materiais escritos que são urgentemente precisos. Devem, pois, os Obreiros e Igrejas, que já se pronunciaram a favor da C. I. levantar ofertas especiais e enviá-las já ao Fundo.

O alargar deste Fundo destina-se justamente a suportar essas despesas de promoção, e todos sabem que está nas mãos de um Obreiro de toda a confiança, como abaixo se indica.

Além das 4 promoções previstas acima, para o futuro próximo, estão previstas reuniões de Obreiros, de estudo, para as áreas de Aveiro, Sangalhos, e toda a área entre Espinho e Palhal, esta marcada, já, para 23 de Janeiro, em Esmoriz as 15:30 horas.

Alguns gostavam que andássemos mais depressa. É preciso lembrar que esta é uma promoção, não de uma área, mas de um país, e que nem todos estão tão interessados como outros. Há muita inércia a vencer. Além disso, os elementos válidos são poucos, e nós, temos já muitas ocupações. A Comissão Nacional espera o apoio e as orações de todos vós. Os Irmãos que desejarem saber sobre a Comunhão devem ler a revista de Setembro e Novembro de 1970.

Todas as ofertas, individuais e de Igrejas, que serão devidamente registadas e acusadas, devem ser enviadas, sem demora, como acima se justifica, para:

Fundo Provisório de Promoção da Comunhão de Igrejas
Ao cuidado do Sr. José A. Pontes
Rua da ..., ..., Canidelo, V. N. de Gaia."

"In Vida Abundante" 120 e 121, Janeiro-Fevereiro de 1971

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