Assembleias de «Irmãos» em Portugal

História do Movimento de «Irmãos»

Richard Thomas Cole (1907-1991)

RICHARD THOMAS COLE partiu para o SENHOR na noite de 9 de Janeiro 1991, tendo servido o SENHOR nesta região (Braga) por mais de 40 anos.

Abriu trabalhos em Braga; V. Nova de Famalicão (Centro) Carreira e Gondifelos do mesmo Concelho; em Vila Real de Trás-o-Montes e V. Praia de Ancora. Teve pontos de pregação: Concelho de Braga: Areal e Real; Concelho de Caminha; Riba d'Âncora; Concelho de V. N. de Famalioao; Anta. De todos estes trabalhos existem frutos, a maior parte dos quais na cidade de Braga.

Roma dominava plenamente, e não será novidade dizer que as manifestações de hostilidade existiam um pouco por todo o lado. Agentes da G. N. R. e, ou, da P. S. P. mal informados, detiveram-no algumas vezes; ameaças físicas, uma das quais concretizada em Ancora, agressões verbais, ameaças com pedras e até de foices em riste, eram comuns nas cidades e nas aldeias. Quando se preparava para baptismos em Amarante, a populaça quis afoga-lo no Tâmega, mas Richard não era homem facilmente intimidável e resistia, resistia sempre com a força que o SENHOR lhe dava.

Alguma displicência e falta de apoio da parte de certos meios evangélicos, cremos que por absoluta ignorância das suas dificuldades e carências, bem como das lutas que travava num meio tão hostil, tê-lo-ão levado a um certo isolamento, o que terá perturbado o seu ministério, mas com o tempo, e na justa medida em que os frutos do seu esforço cresciam, essas dificuldades eram superadas pelo calor humano e cristão que ia surgindo nos seus "filhos" na Fé.

É difícil pensar numa qualquer localidade desta região minhota, e não Só, por onde Rich não tenha passado levando consigo o testemunho de CRISTO, através de literatura, empunhando cartazes com textos bíblicos em praças públicas; mas Roma fazia pagar um alto preço a qualquer que se lhe opunha. Muitos anos mais tarde, e através de um ex-agente da P.S.P. de Braga que se convertera, ele soube que os agentes tinham ordens particulares do seu comandante para o vigiar de perto, com discrição, para lhe assegurar a protecção necessária, tal era a opressão romanista da época; assim Rich estava protegido sem o saber, pelas autoridades, e com a protecção segura e infalível do Pai a quem sempre tanto amou, e do que todos nós somos testemunhas, e ao qual damos toda a Glória.

Os últimos anos da sua vida entre nós passou-os entre Vigo (Espanha) e Braga. Sua principal ocupação: Com um colete de textos bíblicos no peito e nas costas, dirigia-se ás grandes centrais de autocarros e comboios, dirigia-se aos turistas aos quais oferecia ajuda, sempre precisavam de algo, Rich estava preparado para tudo, fornecia informações das mais variadas, como: local de câmbios; horários de expediente; lugares turísticos de interesse; horários de comboios e autocarros para qualquer parte do país (Espanha ou Portugal); Informações sobre hotéis e pensões para os mais variados tipos de bolsa e até informações sobre touradas lhe foram solicitadas. A tudo ele respondia com uma precisão que até a nós nos surpreendia.

Sempre falava, aos seus interlocutores, do Caminho. Aliás era este o seu primordial objectivo. Assim, turistas de todo o mundo, europeus e asiáticos, africanos e americanos; cristãos" e islâmicos; judeus e",, ateus; muitos foram os contactados, levaram na sua bagagem, para além do testemunho verbal que sempre fazia questão de dar, um tratado, um Evangelho e até Novos Testamentos, sempre que possível na própria língua do contactado, ou quando não na língua de contacto, na língua inglesa.

Recebemos há algum tempo uma carta de um alemão, com um excelente testemunho e manifestando a sua gratidão ao Ir. Rich, por lhe ter anunciado CRISTO daquela forma.

Quantos haverá mais? Só naquele dia o saberemos.

RICHAR THOMAS COLE nasceu em Liverpool, Inglaterra, em 23/09/07.

À data da sua conversão era empregado de armazém de uma fábrica vidreira e jogador de futebol do Everton. Na sua descrença era hostil ao Evangelho e surdo aos constantes apelos de sua irmã crente. Decorria o ano de 1929 quando em Liverpool se instalou uma tenda para Evangelização; Rich aceitou o convite, ouviu a mensagem e converteu--se. Não foi assim tão fácil como o é escrevendo. Era um jovem mundano e escarnecedor da Palavra de DEUS e satanás deu-lhe muita luta; mas Cristo venceu nele e por ele. Aleluia. Foi isto em 23 de Junho de 1929, e em Agosto do mesmo ano foi baptizado.

Façamos um parêntesis porque convém aqui dizer que nesse mesmo tempo havia um casal da mesma Igreja, à qual Rich se agregou, THE SHARON HALL, que tinha por costume passar férias em Portugal, mais concretamente em Caires, freguesia do Concelho de Amares, a 10 Km de Braga. Este casal, de nome Blanched Olver e esposa, aproveitavam suas férias para testemunhar da sua Fé em Cristo, e, embora desconhecido a língua, iam para a feira com bandeiras com textos bíblicos e distribuíam literatura em português; alguns ainda recordam os rostos luzentes de felicidade e, simultaneamente, sujos de laranjas e ovos que lhes arremessavam. De regresso a Liverpool e condoídos da ignorância de um povo fanatizado pelo romanismo papal, contactaram o jovem Richard no sentido de o estimular a vir para esta região como missionário. Foi um choque para Rich, uma vez que nunca lhe tinha passado pela cabeça ser missionário onde quer que fosse; além da falta de vocação, havia a carência de meios. DEUS tudo mudou. Depois de Oração e reflexão, e mesmo sem meios de subsistência, decidiu aceitar o desafio, pois era de um desafio que se tratava; assim, até ao dia da sua partida para a glória, Rich nunca soube com certeza quem foi que debaixo da porta da sua casa lhe introduziu um envelope contendo o necessário para a sua passagem no navio. E foi assim que veio, e foi assim que durante cinco décadas viveu, recebendo uma oferta de um lado ou de outro, teve sempre o necessário para o seu sustento. Em face disto não nos admiramos que tanto amasse o seu SENHOR. Pelo que víamos e ouvíamos, ele de facto O amava e, sem desprimor para outros servos do SENHOR, Rich era um homem singular.

Algumas cartas de recomendação levaram-no a Estarreja onde aprendeu a língua com Viriato Dias Sobral, que lhe deu acolhimento e o iniciou no trabalho missionário.

Estabeleceu contactos, e alguma colaboração, com obreiros como: Frank Smith, Eríc Barker, Ronald Moulton, Alfredo Henrique da Silva, Keneth Cox, José Ilidio Freire, Alfred Poland, José Fontoura para além do mencionado V. D. Sobral, entre outros.

No ano de 1943 (?) fixou residência em Braga na R. de 5. Vicente, 40 e abriu sala à pregação do Evangelho no nº 37 da mesma rua, mais tarde mudou para o Largo da Estação nº5 e finalmente R. da Cruz de Pedra 39.

Aos 29 de Março de 1944 contraiu matrimónio com uma portuguesa de nome Palmira Fernandes Sepúlveda, acto celebrado pelo então Pastor Metodista, Prof. Dr. Alfredo Henrique da Silva, com quem mantinha boas relações.

No dia 20 de Junho de 1967 regressou definitivamente à sua terra natal, donde partiu para o SENHOR no dia 9 de Janeiro de 1991 depois de ter dado entrada no hospital no dia 6 do mesmo mês.

Quando em Maio de 89 o visitamos na sua casa no nº 69 de Howthorn Road, continuava a ser o mesmo homem simples. Vivia com frugalidade; dizia que o Servo do SENHOR necessitava apenas de uma cama, uma mesa e uma cadeira, e era neste princípio que vivia; dizia que as almas estavam á sua espera para ouvir a mensagem e não tinha tempo para gastar em limpezas ou arrumações do que, considerava, supérfluo.

Era muito alegre, nunca deixando transparecer quaisquer preocupações que, porventura, tivesse.

Dotado de uma extraordinária habilidade (dom) para aplicar a Palavra de DEUS em toda e qualquer conversa; assim, se alguém lhe falasse da carestia da vida, da política, de problemas sociais ou de outro qualquer tema, em menos de cinco minutos de conversa já tinha esquecido o tema da conversa, para levar "um banho" da Palavra de DEUS. Por isto merecia da nossa parte toda a atenção, carinho e amizade. Era muito vulgar os crentes procurarem-no para consultas sobre problemas morais e espirituais, e não raras vezes vinham da sua presença com o problema "meio" resolvido. Seus conselhos sempre eram bem recebidos. Tinham grande peso nas decisões a tomar.

Tinha um admirável desapego ás coisas materiais, mesmo aquelas que considerávamos perfeitamente legitima. Era possuidor de uma notável cultura bíblica, seus estudos eram de grande profundidade, eu próprio, que tive várias oportunidades de assistir a est. bíblicos de homens de renome, em vários encontros de Obreiro pelo País, nomeadamente ACM no Porto; Curia; Centro Bíblico de Esmoriz, reconheço que o Ir. Rich não ficava atrás desses excelentes servos que tive a feliz ocasião de escutar. Pena é que pouco tenha deixado escrito.

Era, assaz humilde, mas simultaneamente altivo no que concerne a assuntos de Fé. Não era fácil de torcer, mas quando convencido de erro, aceitava com humildade.

Não era homem perfeito. Tinha erros. "Mas quem és tu ó homem que julgas o servo alheio? Para seu próprio SENHOR ele está em pé ou cai; mas estará firme, porque poderoso é DEUS para o afirmar". Sabemos que amava verdadeiramente o SENHOR, porque ele amava os Irmãos.

Esta é, pois, a nossa humilde homenagem àquele que para nós foi o segundo enviado de DEUS para nos transmitir a mensagem da Salvação e todo o "Conselho de DEUS" dentro da linguagem que nos é possível articular, sendo certo que Aquele de Quem se disse não ser o nossos trabalho vão, n'Ele, terá no Seu Livro Sagrado, registados os feitos deste Seu Servo, o qual receberá da Sua parte o "Bem está. Servo fiel"

A ELE toda a Glória. Amém!

Samuel Vieira

Refrigério 25, Abril a Maio de 1991

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