Assembleias de «Irmãos» em Portugal

História do Movimento de «Irmãos»

2.9. Vila da Feira

O Entrave Permanente

Artigo publicado em Vida Abundante | Setembro-Outubro de 1964

"Após a sua inauguração, foi a Casa de Oração da Vila da Feira sido encerrada violentamente em Setembro de 1963 por parte da Guarda, a mando do senhorio que a tinha arrendado aos crentes. Como uma ironia do tempo, a primeira parte a recorrer ao Tribunal foi o senhorio que lançou contra nós um processo acusando-nos de tomar a sua casa! Escusado é dizer que este ficou arquivado, por absoluta falta de provas.

Depois de várias indecisões, apresentamos no Tribunal um processo de notificação de depósito de rendas a fim de comprovar a nossa posição de inquilinos, isto em Setembro de 1963. Como a resolução demorasse, foi publicado no Jornal de Notícias, no dia 25 de Janeiro de 1964, um relato dos acontecimentos do encerramento violento, por parte da autoridade, da nossa Casa de Oração.

Este relato provocou viva emoção e expressões de apoio, não só na Feira, como em todos o País onde o referido Jornal é lido, como ouvimos de várias partes. E, coincidência, poucos dias depois, saía no Tribunal da Feira, a sentença desse processo de depósito de rendas, confirmando que o tal era válido e declarando igualmnente válido o nosso contrato, notícia que o mesmo Jornal publicou imediatamente.

Visto que o contrato era posto em dúvida, foi uma vitória parcial. Faltava a posse da casa, da qual fôramos violentemente desapossados. Mas, logo depois, o senhorio apelou para a Relação do Porto, desta sentença dada na Feira. E ficamos então a aguardar o desfecho deste apelo à Relação, até ao mês de Julho de 1964, quando já tinha passado um ano inteiro sobre o encerramento da Casa. Nesse mesmo mês é entregue por nós na Feira o processo de Restituição de Posse por Esbulho Violente que deve decidir a entrega ou não da Casa. A 30 de Outubro, a Relação acabou por dar a sua sentença ao apelo feito. Não confirmou nem anulou o contrato; mandou o processo descer de novo à Feira"

Observação: O Tribunal voltou a dar razão aos crentes, considerando o arrendamento outorgado como válido e o direito dos mesmos em permanecer a utilizar o local como casa de oração.


Artigo publicado em Vida Abundante | Janeiro-Fevereiro de 1966

"Fez-se de novo a abertura deste trabalho a 12 de Outubro (1965) com a visita de muitas dezenas de Irmãos das Igrejas do Norte e pessoas da vila, e uma série que durou até ao dia 27. Várias pessoas se interessaram, continuaram, mas o inimigo começou logo a trabalhar para as desviar da luz. Alguns ausentaram-se, outros ficaram. Novas pessoas têm vindo a assistir regularmente. Entretanto, um jovem, o Sr. Albano, tem dado um testemunho de libertação. Várias pessoas apoiam o trabalho, particularmente o Sr. J. Barros, que a todos os cultos para ali se desloca, e as Meninas Delsi Fernandes e Conceição Oliveira, organistas que, de S. João da Madeira, ali vão tocar."


Artigo publicado em Vida Abundante | Novembro-Dezembro de 1967

Alguns dedicados irmãos continuam a visitar este lugar para dirigir os cultos, os Irmãos J. Barros e sua esposa e as meninas organistas Conceição Oliveira e Delsi Fernandes. Especialmente ao Domingo alguns irmãos de S. João da Madeira também ajudam. Mas o povo continua endurecido para Cristo. Houve uma família, cuja esposa é endemoninhada, interessada, mas logo se levantou perseguição e abandonou. As famílias cooperantes continuam a ser a Barros, Venceslau e Campos. Graças a Deus o Ir. Venceslau de Pinho regressou da África do Sul e dele se espera uma boa cooperação na Feira.

Devido à falta de frutos e à carestia da renda da casa, os ir. cooperantes desanimaram no apoio a esta Congregação. Pediram até o seu encerramento. Ficou pendente apenas o arranjo de uma casa mais económica. O domingo seguinte era o de oração em S.J.Madeira. O grupo reuniu e orou. Nessa semana sucederam coisas maravilhosas. Nós mesmos procuramos e logo o Senhor deparou nova casa por 400$00. Precisava de obras. Um grupo de irmãos de S.João da Madeira prontificou-se e em poucos dias, a casa estava pronta. Cuidados especiais serão tidos; para já, uma semana de visitação por uma turma de S. João da Madeira. A assistência aumentou.


Artigo publicado em Vida Abundante | Maio-Junho de 1968

Os crentes permanecem fieis, graças a Deus. Uma família tem sido evangelizada, e o chefe de uma outra foi, já, baptizada, não se podendo assistir tão bem a sua numerosa família pela distância. Oramos pela abertura de uma Casa em Guisande, sua terra. Em 1968 foram libertadas de espíritos maus ali 4 senhoras e 1 menino. Parece que o Senhor quer falar ao povo deste modo. Os crentes tentam ganhá-los, mas alguns permanecem agarrados à idolatria.


Artigo publicado em Vida Abundante | Maio-Junho de 1971

Gozou durante o ano um período de renovação na assistência e na Escola Dominical. Infelizmente depois alguns emigraram. Pedimos as orações porque o senhorio pretende que deixemos a Casa de Oração, para ser instalada uma secção de Liceu, e é difícil conseguir-se casa.

BarquinhoNota: Apesar o novo esforço, o trabalho acabou por terminar. Apesar de, posteriormente, terem sido efectuadas diversas campanhas de evangelização, a última das quais recentemente em 1998 e 1999, pelo Irmão Stephen Yuille (que se encontra actualmente no Canadá), através do projecto O Barquinho, a cidade da Feira nunca mais viu um trabalho das Assembleias dos Irmãos, por rejeição do Evangelho do povo aí residente (pelo menos do que residia mais próximo dos locais de pregação).

Mais recentemente, foi aberto um trabalho em Travanca, da responsabilidade de Palmeiro Barros, designado "Centro Bíblico da Feira". Embora originariamente esse Irmão seja das Assembleias de Irmãos, o trabalho aberto não tem qualquer ligação directa às Assembleias de Irmãos.

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